quinta-feira, 18 de agosto de 2022

ès o caminho

 

que me elevas ao paraíso

invulgares e as raridades 

dos ciclos que comandam

as espécies em via de extinção !

a tua voz

è todo o poema

quando sorris não importa

onde o meu coração bate

mas encontro a paz e levito

na simbiose do  mundo

 que se enraíza no teu sorriso 
 

O brilho de criança

no teu olhar

e eu renasço para o mundo

quando te abraço e tu possas

a tua cabeça no meu peito

sinto - me leve e consigo

flutuar no perfume do teu corpo

como se tivessem criado a mais pura

flor que mais ninguém possui
 

No teu olhar

respiro porque posso

ver esse olhar 

a inundar - me a visão

de cores e amor !
 

O teu sorriso

è o próprio mar a envolver - me

a pele a molhar - me

a saliva è o infinito que alcanço

na leve bruma da manhã que nasce 

no teu olhar
 

Vejo - te

a sorrir em silêncio

ao sabor do vento

e não quero chegar

ao fim do destino

quero ampliar os acordes

desta melodia em que tu

me envolves num doce

caminho de búzios
 

o teu sorriso

è o espaço que ampara

a minha palidez sinto - o

a apertar - me o coração

a percorrê - lo

a penetra - lo

e fico quieto enquanto

me envolves nas batidas 

controladas por ti

 

Surges

na página da construção

de um mundo melhor

como se fosses o sol

na pele fina e o calor

surgisse no espaço

breve mas intenso

onde não existe lugar 

para esgrimas
 

nunca me faltem

palavras nem silêncios

não preciso de um para

sempre preciso  de um

infinito no momento

a flor da vida a abrir - se

no teu sorriso como se na criação

do mundo ela existisse primeiro

molde para a natureza humana

capa para protecção das espécies raras

luz para os caminhos escuros
 

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

Num

laço perfeito gosto

que me devolvam as palavras

num sorriso num olhar de lua cheia

e no silencio da neblina matinal

julgo que a paz è isso devolverem - me

as palavras num silêncio
 

Quando escrevo

è mais de que uma vontade

è uma necessidade de elevar

as palavras para que o vento

as leve ao seu destinatário

para  que as palavras não criem

redemoinhos no meu cérebro

e me embrulhem o estômago

 

Sinto

a pureza de uma alma

sem precisar de ver a sua cor

gosto de tocar naquele esperança

 que me alimenta o verbo e me

faz alcançar a lua
 

amar - te

è sentir o coração a bater

tão fortemente tão perto

da palma da mão

è olhar bem fundo e sentir

um sentimento profundo

dentro do coração è subir

ao monte e junto ao céu

beijar o horizonte abraçar

a paisagem e ver a luz intensa

do dia a escurecer
 

a noite repete - se

a tristeza abafa o medo

de possuir demónios

na veia enroscada em forma

de torpedo no riacho da tua cela
 

brigas

no abrigo esperado

olhos de sereia luzindo

ao amado sol a mais próspera

boleia rebolo no teu corpo

na tua doce pele macia

e na tua humildade saboreia - se

o clima ameno
 

sou

o infinito que acaba

na lágrima covarde

do teu rosto a chorar !
 

sou

enfim a chama

que acesa te queima

sem te tocar
 

sou

de areia fina

que o vento levanta

e ninguém segura !
 

Não

desgraça que permaneça solitária

aumentando o registo da infelicidade

começa de forma literária e acaba

transformada em realidade


 

Nem sempre

è aquilo que eu cria ver

o que transmito no olhar

ver as pétalas que murcham

no meu coração sofrem de angùstia

no meu entender respiram espasmos

de ilusão com medo de morrer !
 

Abraço

o estômago da rivalidade

abrindo fogo com a arma

mais pesada

à procura è uma necessidade

da tal onda viciada


esqueleto cravado em terra da morte esquecida

no presente desfolha a necessidade que berra


là para os lados do Oriente

 

Seguro

as pernas de pé para tentar

não ir abaixo o que não è

realidade que não encaixa

a minha forma de estar nem 

sempre è igual a minha maneira 

de ser !

 

Eu no rosto da vida

sufocado pela timidez

saem palavras perdidas

no encher das marés

o vazio da lua cheia

debruça - se nos meus versos

nos meus braços correm - me

nas veias linhas em formas de

 traços seguro as pernas de pé para

tentar não ir abaixo


 

Tinhamos

sonhado juntos

um sonho esculpido de horas

azuis de flores de esquecimento

onde os nossos corpos queimados 

afloram o azul desdenhado


os interditos soltam - se no mar de sargaços

entre o silêncio e o grito


               ( ... )


Tudo è ausência

poeira de argila

fumo


o traço de uma infância inacabada ...
 

Recorda - te

O sol

chovia e a criança

orava ... nas vagas

do tempo os vestígios

do nada encontras - te a Laica

ele se chama Laica

lembras - te ?
 

meu amor

recorda - te

foi em Abril

num principio de Primavera

o vento tinha raptado as rosas

do tempo e tu là tão alta e eu

tão longe perto de ti no eco

da tua voz
 

Se ainda há vida

ainda não è finda

o frio morto em cinzas

a ocultou a mão do vento

pode erguê - la ainda

dà sopro a aragem ou desgraça

ou ânsia com que a chama remoça

e outra vez conquiste a distância

do mar o outro mas que seja nossa
 

terça-feira, 16 de agosto de 2022

Pastor do monte

tão longe de mim

com as tuas ovelhas

que felicidade è essa

que pareces ter a  tua

ou a minha ?

a paz que sinto quando te vejo

pertence - me ou pertence - te ?

não nem a ti nem a mim pastor

pertence sò a felicidade e a paz

nem tu tens porque não sabes que a tens ?


nem eu tenho porque sei que a tenho


è ela sò que caí como o sol que bate


nas costas e te aquece e tu pensas


noutra coisa indiferentemente e me bate na cara

e me ofusca e eu sò penso no sol
 

Creio

que irei morrer

mas o sentido de morrer 

não me move

lembro - me que  morrer

não deve ter sentido

isto de viver e morrer

são classificações

como as das plantas

que folhas ou que flores


têm uma classificação ?

que vida tem a vida ou que morte a morte ?


tudo são termos onde se define
 

O quê ? valho mais que uma flor

porque ela não sabe que tem cor

e eu sei

porque ela não sabe que tem perfume

e eu sei

porque ela não tem consciência de mim


e eu tenho consciência dela ?

mas o que tem uma coisa com outra


para que seja superior ou inferior a ela ?

sim tenho consciência da planta e ela não tem de mim


mas se a forma da consciência è ter consciência que há nisso ?

a planta se falasse podia dizer - me e o teu perfume ?


podia dizer - me  tu tens consciência porque ter consciência

è uma qualidade humana e sò não tenho porque sou flor

senão seria homem tenho perfume e tu não tens porque sou flor ...


mas por que me comparo com uma flor se eu sou eu e a flor è a flor ?

ah não comparemos coisa nenhuma olhemos deixemos análises


metáforas simule comparar uma coisa com outra è esquecer essa coisa

nenhuma coisa lembra a outra se repararmos para ela


cada coisa sò lembra o que ela è e sò o que ela è o que nada mais è

separa - a de todas as outras o facto que ela è ela


cada coisa sò lembra o que è tudo è nada sem outra coisa que não è

 

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

recebo

de mãos abertas

o toque dos que aconchegam

o seu coração ao meu sinto

a pureza de uma alma sem precisar

de ver a sua cor
 

nasci

num país pequeno

onde o aspecto è mais

importante que a alma

onde o que ès depende 

do que possuis

e não do coração que bate

no teu peito
 

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Os amantes de Novembro

ruas e ruas dos amantes

sem um quarto para o amor

amantes são sempre extravagantes

e ao frio tambèm faz calor

pobres amantes escorraçados

dum tempo sem amor nenhum

coitados tão engalfinhados


que sendo dois parecem um de pé imóveis transportados

como uma estátua erguida num jardim votado ao abandono

de amor juncado e de Outono
 

Poema pouco original do medo

o medo vai ter tudo

pernas

ambulâncias

e o luxo blindado

de alguns automóveis

vai ter olho onde ninguém os veja

mãozinhas cautelosas

enredos quase inocentes

ouvidos não sò nas paredes

mas tambèm no chão no tecto


no murmúrio dos esgotos

e talvez atè ( cautela ! )

ouvidos nos teus ouvidos

o medo vai ter tudo

fantasmas na ópera

sessões continuas de espiritismo

milagres 

cortejos

frases corajosas

meninas exemplares

seguras casas de penhor

maliciosas casas de passe

conferências vàrias

congressos muitos

óptimos empregos

poemas originais

e poemas como estes

projectos altamente porcos

heróis

( o medo vai ter heróis ! )

costureiras reais e irreais

operários

(  assim assim )

escriturários

( muitos )

intelectuais

( o que sabe )

a tua voz talvez

talvez a minha

com certeza a deles

vai ter capitais

países

suspeitas como toda gente

muitos amigos

beijos namorados esverdeados

amantes silenciosos

ardentes

e angustiados

ah o medo vai ter tudo

tudo

( penso no que o medo vai ter e tenho medo que è justamente o que o medo quer )

o medo vai ter tudo

quase tudo

e quase tudo

e cada um por seu caminho

havemos  todos de chegar

quase todos

a ratos

sim

a ratos

 

O amor è o amor e depois ?

vamos ficar os dois a imaginar

a imaginar ?

o meu peito contra o teu

cortando o mar cortando o ar

num leito há todo um espaço

para amar !

na nossa carne estamos sem destino

sem pudor e trocamos somos um ? somos dois ?


espírito e calor ! 

o amor è o amor e depois ?

 

O beijo

congresso de gaivotas neste céu

como uma tampa azul cobrindo o Tejo

querela de aves pios escarecèu

ainda palpitante voa um beijo

donde terá vindo ! ( não è meu ... )


de algum quarto perdido no desejo ?

de algum jovem amor que recebeu mandato de captura


ou  de despejo ?


è uma ave estranha colorida vai batendo como a própria

vida um coração vermelho pelo ar e è a força sem fim


de duas bocas que se juntam loucas !

de inveja as gaivotas a gritar ...
 

Há palavras que nos beijam

como se tivessem boca

palavras de amor de esperança 

de imenso amor de esperança louca

palavras nuas que beijas quando a noite

perde o rosto 

palavras que recusam

aos muros do teu desgosto

de repente coloridas

entre palavras sem cor

esperadas inesperadas


como a poesia ou o amor

o nome de quem se ama letra a letra revelado

no mármore distraído

no papel abandonado

palavras que nos transportam

aonde a noite è mais forte

ao silêncio dos amantes

abraçados contra a morte 
 

Trova o vento que passa

pergunto ao vento que passa

noticias do meu pais

o vento cala a desgraça

o vento nada me diz

pergunto aos rios que lavam

tanto sonho à flor das águas

e os rios não sossegam


lavam sonhos deixam mágoas

ai rios do meu país o vento cala


a desgraça o vento nada me diz


pergunto aos rios que lavam tanto sonho à flor das águas

e os rios não sossegam lavam sonhos deixam mágoas


ai rios do meu país minha pátria a flor das águas

para onde vais ? ninguém diz se o verde trevo desfolhas


pede noticias e diz ao trevo de quatro folhas que morro

por meu país


pergunto a gente que passa porque vai de olhos no chão

silêncio è tudo o que tem quem vive na servidão


vi florir os verdes ramos direitos e ao céu voltados e quem

gosta de ter amos vi sempre os ombros curvados e o vento


não me diz nada de novo vi minha pátria pregada nos braços

em cruz do povo vi meu poema na margem dos rios que vão


pró mar  com quem ama a viagem mas tem de ficar vi navios a partir

Portugal a flor das águas vi minha Trova florir verdes folhas màgoadas

há quem te queira ignorada e fale pàtria em teu nome vi - te crucificada


há sempre quem semeie canções no vento que passa mesmo na noite mais triste

em tempos de servidão há sempre quem resiste há sempre alguém que diz não

 

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Teoria do amor

amor è mais que dizer

por amor ao teu corpo

fui além e vi a rosa em todo

o ser fui anjo e bicho e todos

e ninguém como Bernard de Ventadur

amei uma princesa ausente em Tripoli

amada minha onde fui escravo e rei


e vi que longe de ti estava todo em ti

Beatriz e Laura e sò tu rainha e prostituta


no teu corpo nu o mar de Itália a Líbia

o belvedere e quanto mais te perco


mais te encontro morrendo e renascendo

e sempre em ti me encontrar e me perder


 

Amigo

mal nos conhecemos

inauguramos a palavra amigo

amigo è um sorriso de boca em boca

um olhar bem limpo uma casa mesmo

modesta que se oferece um coração pronto

a pulsar na nossa mão !

amigos recordam - se

você ai

escrupulosos detritos !

amigo è o contrário de inimigo !


amigo è erro corrigido

não o erro perseguido explorado


è a verdade partilhada praticada

amigo è a solidão derrotada !


amigo è uma grande tarefa

um trabalho sem fim


um espaço útil um tempo fértil

amigo ai ser è já uma grande festa !
 

a morte esse lugar comum

è trivial a morte e há muito se sabe fazer

e muito a tempo !

o trivial se não fui eu que veio no jornal

foi uma tosse a menos na cidade  ...

o caminho do verme uma beldade

não dirias assim ?

vai ser coberta pela mesma cal que tapa

a mais intensa fealdade

um crecitar  de novo corvo fica bem

neste anuncio de morte a alguém


que não vê na alhei sorte a própria sorte

mas por que não dizer com maior nojo


que um menino saio do imenso bojo de sua mãe para esperar a morte ?
 

toma là cinco !

encolhemos os ombros mas o tempo passa

ai afinal o tempo passa rapaz !

um dente que estava são e agora não

um cabelo que ainda ontem era preto

dentro do peito um outro sempre mais velho

coração e na cara uma ruga que não espera

... que não espera ... no andar de uma uma nova criança

vai bater no teu crânio os pequenos pés mas deixa là rapaz

tem esperança este ano talvez venhas a ser o que não ès

talvez seja de enredo fácil presa eterno marido amante


de um sò dia calorfila ficam os teus dentes

que è uma beleza !


mas não te rias rapaz que o ano sò agora principia

talvez lances de amor um foguetão a algum coração


milhões de nos dor ou desesperado te resolvas por um mero

tiro na cabeça mas de alcance maior ...


grande asneira rapaz grande asneira seria errar na vida e não errar na pontaria
 

e de novo Lisboa tinha te remancho

numa deriva de quem tudo olha

de viès  esvaiado boi no guincho

o outro vermelho que te molha

sangue serradura ou na calçada

 que mais faz se è de homem ou de boi ?

o sangue è sempre uma papoila errada cerceada

do coração que foi

groselha na esplanada bebe a velha

e um cartaz na parede nos convida a dar o sangue

franzo a sobrancelha


dizem que sangue è vida mas que vida ?

que fazemos Lisboa aqui os dois na terra


onde nasceste e eu nasci ?
 

Que por ti perdi

o mar dentro das árvores

as nuvens dentro da terra

sem fim que limitava as mãos

e as abria para as outras mãos


dentro de um olhar batem as fornalhas aos ventos

um cálice de vidro com o licor de fermentação caseira


um prato com avelã e nozes e folhas de medronho

nas margens as portadas corridas ganham um halo


de candeeiros de rua que se difunde na florescência

de televisor na palidez rubra das pequenas luzes


do radio a última claridade do dia  mistura - se à primeira da noite

este vento auto estrada onde rebenta a chuva não me vai forçar o coração


nem estas sebes ladeadas de cimento suspenderão o voo do que sou atè ao que

não ès mas será a caricia que no cinto treme o calor do pescoço descoberto


os vimes da cadeira donde te levantas quando estou quase para me sentar

entre veios de relva desigual valadas por cuidar obrigam maquinas de desolação


formações de patos atravessam o vidro polido do postigo sobre a manta castanha

que prende os joelhos no silêncio de persianas já corridas um globo de lona ilumina


o livro na pequena mesa um arame de flores pendurado numa trave e o armário com

objectos de estranho meditação a vida  acumulou - se em roldanas ao redor de tudo


um fume que sobe durante  a noite sobre os mapas enrolados na parede despida há tantos

nos esquecemos de desdobrar de por eles chegarmos aos confins do nosso mundo e já estamos a

 desaparecer


 

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Mesa dos sonhos

ao lado do homem vou crescendo

defendo - me da morte quando

dou ao seu desejo violento e lhe

devoro o corpo 

lentamente mesa dos meus sonhos


no meu corpo vivem todas as formas

e começam todas as vidas


ao lado do homem vou crescendo

e defendo - me da morte povoando


de novos sonhos a vida
 

Um adeus Português

nos teus olhos altamente perigosos

vigora o mais rigoroso amor a luz

ombros puros e a sombra de uma angùstia

já purificada não tu não podias ficar presa

comigo à roda que apodrecemos a esta

pata ensanguentada que vacila quase medida

e avança mugindo pelo túnel de uma velha dor

não podias ficar nesta cadeira onde passo o dia

burocrático o dia de miséria que sobe às mãos 

aos sorrisos ao amor mal soletrado à estupidez


ao desespero sem boca ao medo perfilado

à água sonâmbula a vírgula maníaca do meu medo

funcionária de viver

não podia ficar comigo

em trânsito mortal atè ao dia

sórdido

canino

policial


atè ao dia que não vem da promessa

puríssima  da madrugada mas da miséria de uma noite

gerada por um dia igual


não podias ficar presa comigo à pequena dor que cada um de nòs

 traz docemente pela mão a esta dor portuguesa tão mansa quase vegetal


mas tu não mereces esta cidade não mereces esta rosa de naùsea em que giramos

atè à idiota esta pequena morte e o seu minucioso e porco ritual esta nossa razão


absurda de ser


não tu ès da cidade aventureiro da cidade onde vives por um fio de puro acaso onde morres

ou vives de asfixia mas às mãos de uma aventura de um comércio puro sem moeda falsa

do bem e do mal nesta curva tão terna e lancinante que vai ser que já è o teu desaparecimento


digo - te adeus e como um adolescente tropeço de ternura por ti

 

Aos vindores se os houver

 

vòs que trabalhais sò duas horas

a ver a trabalhar a cibernética

 que não deixai o atòmo a desoras

na gandaria pois tendes uma ética

que do amor sabeis o ponto e a vírgula

e vos engalfinhais livres de medo sem

preçários calendários pílula jaculatórias

fora tarde ou cedo computai a nossa falha

sem perfurar demais vossa memória

que nòs fomos para aqui  uma gentalha


a fazer passamos com a história

que fomos (  fatal necessidade ! )


quadrùmanos da vossa necessidade !

  

Bom e Expressivo

acaba mal o teu verso

mas falo com um desígnio

è um mal que não è mal

è lutar contra o bonito

vai -me a essas rimas

que tão bem desfecham

e que são pão de lò  dos tolos

e torce - lhes o pescoço tal como

o outro pedia se fizesse a eloquência

e se houver uma vossa excelência que grite


não è poesia !

diz - lhe que não que não è que è topada

lixa três  serração vidro moído papel


que se rasga ou pedra que rola na pedra

mas tambèm da rima « em cheio »


poderás tirar  partido que a regra è não haver regra

a não ser a de cada um com a sua rima não fazer bom


e bonito mas fazer bem e expressivo ...
 

terça-feira, 2 de agosto de 2022

Portugal


se fosses sò três sílabas

linda vista para o mar

Minho verde Algarve

de cal jerico raspando

o estilhaço da terra

surdo e miúdo

moinho a braços com um vento


testudo mas embolado e afinal amigo

se fosses sò o  sal o sol o sul

o latino pardal

o manso boi coloquial

a renunciante sardinha

a descarada varina


ò plumitivo  ladrilhado de lindos objectivos

a muda queixa amendoada dunas olhos pestanejados

se fosse sò a carregado esteios de estilos

o furunguento cão asmático das praias


o galo engaiolado a grila no lábio

o calendário na parede

o emblema na lapela 


ò Portugal se fosses sò três sílabas de plastifico

que era mais barato !


doceiras de Amarante

barristas de Barcelos

rendeiros de Viana

toureiros de Golegã

não há babo de anjo

que seja meu derriço

galo que canta a cores na minha prateleira

alvura arrendada para o meu devaneio

bandarilha que possa enfeitar - me o cachaço


Portugal questão que eu tenho comigo mesmo

mesmo o golpe atè ao osso fome sem entretém


perdigueiro marado e sem narizes sem perdizes

rocem engraxado feira cabisbaixa meu remorso

meu remorso de todos nòs 





 

Beija - For

os beija flores em festa com o sol

com a luz com os remorsos saem

da verde floresta como um punhado

de flores e abrindo as asas formosas

as asas aurifulgentes  feitas de opalas

ardentes com coloridos  de rosas

os beija - flores em bando boémios

enfeitiçados vão como beijos a voar

por sobre os vigentes prados sobem

às altas colinas descem aos vales formosos


e espraiam - se após ruidosos pela extensão 

das campinas depois sussurrando a fluxo dos cactos


ensanguentados bailam nos prismas da luz

do solto pólen dourados


ah ! como a orquídea estremece ao ver que um deles

mais vivo atè ser gérmen  lascivo mergulha internasse


desce e não haver uma rosa de tantas açucenas

uma violeta piedosa que quando a morte sem pena


um destes seres fulmina abre - se em fervido eleio

como a alma de uma menina para guarda - lo no seio !




 

ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !