na surpresa da manhã
levemente azul a curiosa
expectativa da noite extinta
no túnel estreito da insónia
cruza memórias de constelações
vivas com abismos obscuros de
incompreensível espanto
na surpresa da manhã
levemente azul a curiosa
expectativa da noite extinta
no túnel estreito da insónia
cruza memórias de constelações
vivas com abismos obscuros de
incompreensível espanto
o muro ácido das trevas o fundo
em teus flancos cravo os rubros
esporos a madrugada
correm versos em forma de traços
seguro asx pernas de pè para tentar
não ir abaixo
em que tu escreves
dentro
do meu coração palavra
a palavra soletrada silaba
a silaba dentro do meu coração
em constante crescimento em nòs
a semente em pétalas de rosas livres
guiadas pelo vento deslumbrante abrindo
os nossos corações aos afectos e rompesse
em nòs este egoísmo adulto constante e nos
trouxesse a inocência perdida talvez os nossos corações seriam livros e prontos para amar como
frutos maduros ao amor ...
o fim ao inicio noutra
idade quando ainda eras
o sol o fruto o céu a haste
quando te amei ...
perdida no sonho adulto que nos rouba a pura inocência
de criança nascida e esquecida na amargura do amor fosse
esse nobre sorriso a pura verdade do amor em constante
crescimento em nòs a semente em pétalas de rosas livres
guiadas pelo vento deslumbrante abrindo o nosso coração
aos afectos e rompesse o egoísmo constante adultos em nòs e nos
trouxesse a inocência perdida em sermos unis no amor seriam talvez
os nossos corações livres e prontos como frutos maduros ao amor
de fogo e tu irás palmilhar
um leito de cinzas ao nível
da presunção de nem ter sido
lenta de ternura
o universo vago da ausência
è o rito de exorcismo inacabado
por dentro mesmo do sonho verde
como se o destino se afirmasse num
fulgurante rumo de lúcida paz na incrível
nudez da matéria projectada no rosto indelével
da vitória sinto - me sem nenhuma certeza e fico
dia e noite a tua espera bebo esse corpo fluído
de quimera que mantêm a chama acesa deste meu
amor por ti assim tão loucamente apaixonante
alento que mantêm a chama acesa
invades o jardim do Éden desprezado
que sò era lembrança cativa de outra
esfera sem penumbra subtis nem tibieza
um sò cristal de alegria nele nele brilha
arrebata rodìgios do silêncio nas palavras
pulsam latejantes como diamantes em de luz
cor de fogo
e
ficai dia e noite a tua espera
bebo
esse corpo fluido de quimera
alento
que mantém a chama acesa
invades o Éden desprezado
que
sò era lembrança cativa de
outra esfera sem penumbra
subtis nem Tibães um sò cristal
de alegria nele o brilho múltiplo da razão
saem frases perdidas no
encher das marés o vazio
da lua cheia debruça - se
nos meus braços corre - me
versos em forma de traços
seguro as pernas de pè para
tentar não ir abaixo
acesa por ti em mim eu
sou a página em branco
em que tu escreves
dentro do meu coração
palavra a palavra soletrada
silaba a silaba dentro do meu ser
por seres a mulher que um dia ousei
amar
feita por nòs clausura que tecemos
para que viva e decida no toque
indelével no sulco que nos dita a
senda da vitória desta vida como
posso eu desejar a lua de uma noite
sem sentido sob o sol sem luz do teu
ser perdido que no peito devia crepitar
na calma prateada do luar estando sem estar
sò dividido já tão cheio de frio que despido
projecta no espaço o seu grito .... acredito no
uivo delirante irrompendo febril de sob a terra
por não seres ave migratòria
dos afectos na cor da aurora que se move
fascinante o rumo traçado não ilude os instantes
de liberdade vividos na senda do destino que o sonho
acalenta e reforça sempre que o fogo da vontade purifica
o desejo de continua fusão que dizer da palavra por dizer que
nòs guardamos latente no cofre do silêncio reticente de sentido
sufocado por ser nuvem no sol do contacto e suster no peito
que pulsa impaciente a tal melodia que não desmente na luz
multicolor de te viver
por saberes que nada dizes
sobre o que ambos sabemos
embora possas dizer do nada
que disseste a insustentável
transgressão que desagrega
qualquer elo de fragilidade
impossível por ser corrente
de indivisível devir
num farol de proximidade cujo alcance
dissipa cintilações vacilantes somos agora
um mar de tranquilidade sob o lençol prateado
das vagas onde assoma a ilha do teu corpo como
um pedaço de areia brilhante e curvilíneo onde
pontificam dois seios nacarados que se oferecem
como pérolas de colheita sinto então a caricia da
tua mão invisível o aconchego dos teus membros
de espuma e soçobro na água profunda do teu ventre
como se o abraço líquido dos amantes não fosse o que
somos por sermos um sò
incandescente na semântica
como se o sol de cada instante
projectasse no mapa da tua pele
um mar de geladas labaredas
como se o sol de cada lágrima
mas não fosse que um sémen de
penumbra que dizer do assombroso
fogo que trago incandescente no teu corpo
mistifica mas a matéria nem sempre è fantasia
e uma pedra ou outra tomba do sonho e permanece
fluída como um regato cuja a musicalidade comove
por ser água cristalina e pura onde o luar se reflecte
e o veado mitiga a sede sob a árvore quiescente e grata
entre céu e a terra sempre estamos ainda que nem sempre
seja o que a terra è mesmo sem ser um astro fulgurante
de energia que o sol aquece e torna verde ou mesmo azul
razão da letargia que nenhum
limbo redime por acaso na
rota parabólica da agonia
traçaria o teu corpo a ruptura
ao nìvel da folhagem interdita
que nenhuma tempestade iludiria
jà que fomos primavera no inverno
se
espaira no desejo irrompe
da
concha delicada e transparente
onde te guardo adormecida
escuto sem ouvir esse gorjeio
rarefeito pelo tempo transbordante
sem sentido sob o sol sem luz
da alma cativa que encerradas
no silêncio apagado do teu fogo
cintilante
assim estou eu sem estar e mesmo
no
poema não sò suspiro clamo ou grito
como a árvore escarnecida que projecta
no espaço a suplicante nudez de braços
ressequidos mas traça tambèm o percurso
da ave migratória que a primavera trará em
obediência a esse circulo vital de solar volúpia
ouvir - te - ei
ainda que não compareças sentir - te - ei
mesmo que ter recuses beber - te - ei
ainda que te afastes ver - te - ei
mesmo que ti dissipes respirar - te - ei
de
normas insensatas calcinadas de teias
dissipadas em espirais de espuma para là
do tempo esvoaçante ressoando em correntes
liquidas transfiguradas cumprindo ironias de
sangue roxo improvável sem retorno dilacerando
o melhor de nòs como se o amor fosse abolir a
génese dos afectos petrificando sensações crispar
fluidos silenciados são tão belas as flores e vegetam
na tempestade do deserto no caos da
agonia feita êxtase temor fúria e adoração
são despojos soterrados ocultamos o amor
que crucificamos no presságio de normas
insensatas calcinadas de teias insensatas
dissipadas em espirais de espuma para là do tempo
esvoçante
mas
se isso acontecer
já
cà não estarei já consegui
esquecer - te
podes atè chorar que eu não
quero saber não consigo perdoar - te
nem sequer perceber - te
enfrento
as situações ao preço
da
saudade espirro a minha
màgoa
para o meu lenço de cetim
afagar - me
sem pinga de água agarro - me
a
mim cavo tesouros escondidos
descubro a arca mistério reflecte
bem se tenho amigos ponho um ar serio
cegou
como o da curvatura do ventre
que
tornou a própria perda na mais
preciosa energia do começo
como
uma zona interdita
onde
a alma pontifica reflexos
distantes
mas sempre acesos como
de
a linguagem fosse um cèu
de
estrelas que ora determina
o rumo o caminho do poema
vivo que já fomos nas marcas do tempo
quando
transferimos a dor do presente
para
um futuro que no fundo duvidamos
glicìnias
ou uvas azuladas pejadas
de seiva e glória que sorvo
anelante nos bagos de mamilos
pérolas nacaradas de vitória
aveluadas
pétalas de memória a tua pele
um sò cristal de alegria nele o
brilho múltiplo da razão brilha
arrebata rodìgios de silêncios nas
palavras que pulsam latejantes como diamantes
dias
o teu sorriso apaga as intempéries
bonanças iluminadas melódicas
doce fresca magneto de magia vegetal
e luar o teu sorriso o teu corpo pedaço
de terra vermelha de loucura de alma
escravizada
sem reverso depende do perfume dos teus
seios dois cachos de brancas glicìnias ou
uvas azuladas pejadas de seiva e glória que
sorvo anelante nos bagos mamilos pérolas
nacaradas de Vitória aveludas
amor
na velocidade vertente de cérebros
raciocinantes
inventando guerras nas entranhas dos
brinquedos
sem
lágrimas e uma hidra pescadores de dor vento
descalço
de calor e tranças em coral de medusa mulher
de
branco cansada de esperar dias de paz e uma
manhã
agasalhada em nevoeiro mar - amar palácio
dentro de soluços convento de freiras a pensar
apenas nòs nem o mar sem barcos a urgência
do cèu e paz nos olhos das crianças loucura
cristalizante trouxeram - nos medo
louro
de sol esquecido no centro de um largo
de harpas de cabelo ainda o arbusto tatuado
no
vento sò o ciúme nos lábios de uma estrela
louca semeada dentro do orgulho de seara
arrepiada nunca mais o cais na bruma oscilante
apenas encontro morto um anjo na noite principal
sò a solidão nos olhos e um mundo de silêncios entre
os braços no mar os pescadores sem barcos as searas
nas lágrimas e a vontade louca de poder dormir
semeia
o vento quem determina o
meridiano
è a misteriosa de si mesma
talvez estrela ou petardo a
mulher amada e de outro não
seja pois ela è a coluna e o gral
e o símbolo implícita na criação
seja o canto e a oferenda o gozo
e o privilegio a erguida e o sangue
a correr pelas ruas e iluminando
a perplexidade eia a mulher amada
do
deserto bebemos pois para
olear a conversa pontos ínfimos
da noite
de onde vem tudo o desejamos
a
serenidade como escreveu Raul
Carvalho
ou o que è antiquíssimo e idêntico
è pela noite que vamos pelos seu
jardins subterrâneos onde continuamos
a encontrar os poetas à solta encontramos
em lugares sufocantes fumo uns seios que passam no aperto demorado
que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !