terça-feira, 29 de junho de 2021

com que crèdula esperança

se ergue cada sonho

na surpresa da manhã

levemente azul a curiosa

expectativa da noite extinta

no túnel estreito da insónia

cruza memórias de constelações

vivas com abismos obscuros de

incompreensível espanto
 

segunda-feira, 28 de junho de 2021

contigo nos braços

atravesso as paredes do ódio

o muro ácido das trevas o fundo

em teus flancos cravo os rubros

esporos a madrugada
 

fito - te querida

e a voz com que me

chamas obscura e terrível

abre - se como um abismo

onde me despenho
 

o delírio de luz

cor fogo numa combustão

lenta de ternura assim

sente o meu coração

por ti

 

o vazio da lua cheia


 debruça - se nos meus braços

correm versos em forma de traços

seguro asx pernas de pè para tentar

não ir abaixo

no rosto da vida sufocado

pela timidez saem frases

perdidas no encher das marés
 

eu sou a página

a página em branco

em que tu escreves

         dentro

do meu coração palavra

a palavra soletrada silaba

a silaba dentro do meu coração
 

fosse um nobre sorriso teu


 a pura verdade do nosso amor

em constante crescimento em nòs

a semente em pétalas de rosas livres

guiadas pelo vento deslumbrante abrindo

os nossos corações aos afectos e rompesse

 em nòs este egoísmo adulto constante  e nos

trouxesse a inocência perdida talvez os nossos corações  seriam livros  e prontos para amar como

frutos maduros ao amor ... 

por te amar assim deste jeito


 sem jeito a palavra dada

sentida silaba a silaba nos

lábios ardentes cheios de amor

por ti

em ti renasce

o que sulcaste  desde

o fim ao inicio  noutra

idade quando ainda eras

o sol o fruto o céu a haste

quando te amei ...

 

fosse um simples sorriso

de uma criança inocente  a devolver - nos a esperança

perdida no sonho adulto que nos rouba a pura inocência

de criança nascida e esquecida na amargura do amor fosse

esse nobre sorriso a pura verdade do amor em constante 

crescimento em nòs a semente em pétalas de rosas livres

 guiadas pelo vento deslumbrante abrindo o nosso coração

aos afectos e rompesse o egoísmo constante adultos em nòs e nos 

trouxesse  a inocência perdida em sermos unis no amor seriam talvez 

os nossos corações livres e prontos como frutos maduros ao amor
 

um dia o sol


 deixará de lançar  dardos

de fogo e tu irás palmilhar

um leito de cinzas ao nível

da presunção de nem ter sido

o delírio de luz

cor fogo numa combustão

lenta de ternura

o universo vago da ausência

è o rito de exorcismo inacabado

por dentro mesmo do sonho verde

como se o destino se afirmasse num

fulgurante rumo de lúcida paz na incrível

nudez da matéria projectada no rosto indelével

da vitória sinto - me sem nenhuma certeza e fico

dia e noite a tua espera bebo esse corpo fluído

de quimera que mantêm a chama acesa deste meu

amor por ti assim tão loucamente apaixonante
 

domingo, 27 de junho de 2021

a tua espera


 bebo esse corpo fluido de quimera

alento que mantêm  a chama acesa

invades o jardim do Éden desprezado

que sò era lembrança cativa de outra

esfera sem penumbra subtis nem tibieza

um sò cristal de alegria nele nele brilha

arrebata rodìgios  do silêncio nas palavras

pulsam latejantes como diamantes em de luz 

cor de fogo

sinto - me

sem nunca ter a certeza

              e

ficai dia e noite a tua espera

              bebo

esse corpo fluido de quimera

             alento

que mantém a chama acesa

invades o Éden desprezado

             que

sò era lembrança cativa de

outra esfera sem  penumbra

subtis nem Tibães um sò cristal

de alegria nele o brilho múltiplo da razão  
 

no rosto da vida

sufocado  pela timidez

saem frases perdidas no

encher das marés o vazio

  da lua cheia debruça - se

nos meus braços corre - me

versos em forma de traços

seguro as pernas de pè para

tentar não ir abaixo
 

no renascer das cinzas

nasce a chama do amor

acesa por ti em mim eu

sou a página em branco

em que tu escreves

dentro do meu coração

palavra a palavra soletrada

silaba a silaba dentro do meu ser

por seres a mulher que um dia ousei

amar
 

è a palavra que tão bem sabemos

feita por nòs clausura que tecemos

para que viva e decida   no toque

indelével no sulco que nos dita a

senda da vitória desta vida como 

posso eu desejar  a lua de uma noite

sem sentido sob o sol sem luz do teu

ser perdido que no peito devia crepitar

na calma prateada do luar estando sem estar

 sò dividido já tão cheio de frio que despido

projecta no espaço o seu grito .... acredito no

uivo delirante irrompendo febril de sob a terra

 por não seres ave migratòria



 

o rumo traçado

porque não deve abolir o amor da génese

dos afectos na cor da aurora que se move

fascinante o rumo traçado não ilude os instantes

de liberdade vividos na senda do destino que o sonho

 acalenta e  reforça sempre que o fogo da vontade purifica

o desejo de continua fusão que dizer da palavra por dizer que

nòs guardamos latente no cofre do silêncio reticente de sentido

 sufocado  por ser nuvem no sol do contacto e suster no peito

que pulsa impaciente a tal melodia que não desmente na luz

multicolor de te viver
 

sabes tão bem


 que tambèm não sabes

por saberes que nada dizes

sobre o que ambos sabemos

embora possas dizer do nada

que disseste a insustentável

transgressão que desagrega

qualquer elo de fragilidade

impossível  por ser corrente

de indivisível  devir 

sábado, 26 de junho de 2021

o sonho

transforma a noite da distância anunciada

num farol de proximidade cujo alcance

dissipa cintilações vacilantes somos agora

um mar de tranquilidade sob o lençol prateado

das vagas onde assoma a ilha do teu corpo como

um pedaço de areia brilhante e curvilíneo onde

pontificam dois seios nacarados que se oferecem

como pérolas de colheita sinto então a caricia da

tua mão invisível o aconchego dos teus membros

de espuma e soçobro na água profunda do teu ventre

como se o abraço líquido dos amantes não fosse o que

somos por sermos um sò

 

Que dizer do


 assombroso  fogo que trago

incandescente na semântica 

como se o sol de cada instante

projectasse no mapa da tua pele

um mar de geladas labaredas

como se o sol de cada  lágrima

mas não fosse que um sémen de

penumbra que dizer do assombroso

fogo que trago incandescente no teu corpo

com as mão fèrrea da vontade


 construímos castelos de  ilusão que a realidade

mistifica mas a matéria nem sempre è fantasia

e uma pedra ou outra tomba do sonho e  permanece

fluída como um regato cuja a musicalidade comove

por ser água cristalina e pura onde o luar se reflecte

e o veado mitiga a sede sob a árvore quiescente e grata

entre céu e a terra sempre estamos ainda que nem sempre

seja o que a terra  è mesmo sem ser um astro fulgurante

de energia que o sol aquece e torna verde ou mesmo azul

fosse esse mar


de signos cintilantes a obscura

razão da letargia que nenhum

limbo  redime por acaso  na

rota parabólica da agonia

traçaria o teu corpo a ruptura

ao nìvel da folhagem interdita

que nenhuma tempestade iludiria

jà que fomos  primavera no inverno
 

escuto sem ouvir

esse gorjeio rarefeito pelo tempo
transbordante como se a verdade me
ocultasse o que no seu seio se vê sem
se mostrar è então que eu sinto o teu
perfume odor felino de fêmea apetecida
incendiar os sedimentos da memória
 descontados  nos fermentos da insónia
fosse este poema o mar dos teus cabelos
uma tão cálida e brilhante noite de luar
escreveria pesaroso a ausência dessa luz
fustigada pelo tempo revolto da vontade
fosse este mar de signos cintilantes da letargia
 

um sò gorjeio


 de ave branca cujo voo

               se

espaira  no desejo irrompe

              da

concha delicada e transparente

 onde te guardo adormecida

escuto sem ouvir esse gorjeio

rarefeito pelo tempo transbordante

Quão difícil

desejar  a lua de uma noite

sem sentido sob o sol sem luz 

da alma cativa que encerradas

no silêncio apagado do teu fogo

            cintilante

assim estou eu sem estar e mesmo

                 no

poema não sò suspiro clamo ou grito

como a árvore escarnecida que projecta

 no espaço a suplicante nudez de braços

ressequidos mas traça tambèm o percurso

da ave migratória que a primavera trará em 

obediência a esse circulo vital de solar volúpia


 

por te amar assim deste meu jeito

em que te amo mesmo que nada digas

                ouvir - te - ei

ainda que não compareças sentir - te - ei

mesmo que ter recuses beber - te - ei

ainda que te afastes ver - te - ei

mesmo que ti dissipes respirar - te - ei
 

sexta-feira, 25 de junho de 2021

ocultamos o amor


 que crucificamos em presságios

                 de

normas insensatas calcinadas de teias

dissipadas em espirais de espuma para là 

do tempo esvoaçante ressoando em correntes

liquidas transfiguradas cumprindo ironias de

sangue roxo improvável sem retorno dilacerando

 o melhor de nòs como se o amor fosse abolir a

génese dos afectos petrificando sensações crispar 

 fluidos  silenciados são tão belas as flores e vegetam

são tão belas as flores

mas decepadas lançadas a sepulturas

na tempestade do deserto no caos da

agonia feita êxtase temor fúria e adoração

são despojos soterrados ocultamos o amor

que crucificamos no presságio de normas 

insensatas  calcinadas de teias insensatas

dissipadas em espirais de espuma para là do tempo

                 esvoçante
 

já chega

podes atè mudares

         mas

se isso acontecer

         já

cà não estarei já consegui

      esquecer - te 

podes atè chorar que eu não

quero saber não consigo perdoar - te

nem sequer perceber - te

 

curo - me travo - me de razões

gozo a liberdade

     enfrento

as situações ao preço

        da

saudade espirro a minha

       màgoa

para o meu lenço de cetim

      afagar - me

sem pinga de água agarro - me

             a

mim cavo tesouros escondidos

descubro a arca mistério reflecte

bem se tenho amigos ponho um ar serio
 

nenhuma

luminosidade  jamais me

       cegou

como o da curvatura do ventre

          que

tornou a própria perda na mais

preciosa energia do começo
 

a escrita

brota do coração

        como

uma zona interdita

         onde

a alma pontifica reflexos

        distantes

mas sempre acesos como

            de

a linguagem fosse um cèu

              de

estrelas que ora determina

o rumo o caminho do poema

vivo que já fomos nas marcas do tempo
 

se semeares uma árvore

que as flores virão

            se

não semeares o que è que esperas
 

esperar e alcançar

são coisas diferentes

            sò

se alcança o que è
 

sò podemos esperar

o que produzimos o resto

             são

formas de suportar a nossa

           impotência
 

O Desespero

confunde - se com a esperança

                 quando

transferimos a dor do presente

                    para 

um futuro que no fundo duvidamos
 

se o sol està là

tens a certeza que na aurora

              ele

nasce mas se não està è inútil

              espera - lo
 

O estado do Amor

è o único caminho

         para

o nascimento da esperança

           a

partir dai tudo vem ter contigo
 

Quando amas alguèm


  tens a esperança de ser amado

                 assim

serà se o teu amor força foça e não

               fraqueza

MULHER

Eu quero uma mulher

             que

caiba no meu abraço
 

será que alguém

sabe o quanto dói

          ter

um amigo virtual

          e

saber que nunca

         o

poderá abraça - lo
 

teus seios

dois cachos de brancas

          glicìnias

ou uvas azuladas pejadas

de seiva e glória que sorvo

anelante nos bagos de mamilos

pérolas nacaradas de vitória

              aveluadas

pétalas de memória a tua pele

um sò cristal de alegria nele o

brilho múltiplo da razão brilha

arrebata rodìgios de silêncios nas

 palavras que pulsam latejantes como diamantes

 

suspiro subtil poema


 vivo   no rosto dos meus

               dias

o teu sorriso apaga as intempéries

bonanças iluminadas melódicas

doce fresca magneto de magia vegetal

e luar o teu sorriso o teu corpo pedaço

de terra vermelha de loucura de alma

                 escravizada

sem reverso depende do perfume dos teus

seios dois cachos de brancas glicìnias ou

uvas azuladas pejadas de seiva e glória que

sorvo anelante nos bagos mamilos pérolas 

nacaradas de Vitória aveludas

quinta-feira, 24 de junho de 2021

a mesa de cafè

na nossa imaginação cheia de

                amor

na velocidade vertente de cérebros

                raciocinantes

inventando guerras nas entranhas dos

                 brinquedos
 

sem làgrimas

mar - amar marcadores de pérolas

                 sem

lágrimas e uma hidra pescadores de dor vento

                descalço

de calor e tranças em coral de medusa mulher

                    de

branco cansada de esperar dias de paz e uma

                   manhã

agasalhada em nevoeiro mar - amar palácio

dentro de soluços convento de freiras a pensar

apenas nòs nem o mar sem barcos a urgência

do cèu e paz nos olhos das crianças loucura

cristalizante trouxeram - nos medo
 

espelho inicial

no pensamento das ondinas em revolto

                    louro

de sol esquecido no centro de um largo

de harpas de cabelo ainda o arbusto tatuado

                      no

vento sò o ciúme nos lábios de uma estrela

louca semeada dentro do orgulho de seara

arrepiada nunca mais o cais na bruma oscilante

 apenas encontro morto um anjo na noite principal

sò a solidão nos olhos e um mundo de silêncios entre 

os braços no mar os pescadores sem barcos as searas

nas lágrimas e a vontade louca de poder dormir
 

a mulher amada

è a mulher amada quem

         semeia

o vento quem determina o

        meridiano

è a misteriosa de si mesma

talvez estrela ou petardo a

mulher amada e de outro não

seja pois ela è a coluna e o gral

e o símbolo implícita na criação

seja o canto e a oferenda o gozo

e o privilegio a erguida e o sangue

a correr pelas ruas e iluminando

a perplexidade eia a mulher amada
 

paradoxalmente que a noite

dà - nos mais  sede que o sol

                  do

deserto bebemos pois para

olear a conversa pontos ínfimos

              da noite

de onde vem tudo o desejamos

                 a

serenidade como escreveu Raul

            Carvalho

ou o que è antiquíssimo e idêntico

è pela noite que vamos pelos seu

jardins subterrâneos onde continuamos

a encontrar os poetas à solta encontramos 

em lugares sufocantes  fumo uns seios que passam no aperto demorado
 

ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !