domingo, 29 de agosto de 2021

escritos em pleno verão

num inicio de tarde

no meu quarto fechado

na minha solidão cheio

 de amor com um fretàrio

de paixão a minha esbelta

princesa

secret confessions written

in  midsummer in my room

full of love wit a fretario et passion

to my slender princess
 

todos dormem

na penumbra viver è quem mesmo

na solidão não se sente sò e atè mesmo

 sem nada fazer não se sente vazio na mão

sente o preenchimento do universo no coração

everyone sleeps in the shadows to live and who

even in solitude does not feel alone and even wothout
 

o céu pode segurar

pode segurar nuvens e chumbo

nevoeiro ou madrugada pode

ser de noite mas sempre que

damos as mãos transformamos

 - nos na mesma matéria do mundo

somos árvores velhas e chumbo nevoeiro

ou madrugada
 

não peças a Deus

que pare o vento

se o barco não singrar

não chegará e o moribundo

irà morrer sem que veja o filho

que o barco lhe levaria

 

sobre o luar

dos teus olhos rente ao meu coração

não deixes apagar a chama deste amor

senão morro congelado cheio de frio

abandonado no silêncio que se instalou

em nòs apagado reacende a chama deste amor por ti por mim por nòs pela humanidade na chama universal do amor
 

escuta

meu amor quando damos

as mãos somos um barco

feito de oceanos de ondas a agitarem

sobre as ondas mas ancorados ao oceano

 pelo próprio oceano

 

o amor desta manhã

que arrefeceu a mãos e os olhos

que te dei amor exacto vivo desenhando 

o fogo que eu pròprio queimei amor que destrói

 e destruiu a fria arquitectura desta tarde sò a ti

canto que eu jà não sei outra forma de ser e de

me encontrar sem o teu amor
 

na manhã no teu olhar

foi para ti que cresci as rosas

foi para ti que lhe dei perfume

por ti rasguei ribeiros e dei as

romãs a cor do lume foi por ti

que pôs no céu o luar e o mais

verde nos pinhais foi por ti que

 deitei no chão um corpo aberto

 como os animais sò as tuas mãos 

trazem os frutos sò elas despem

a màgoa destes olhos choupos

carregados de sombras e raso

de água sò elas são estrelas penduradas

nos meus  dedos ò mão da minha alma 

flores abertas aos meus segredos
 

escuta - me

não te demoro è coisa pouca

são três quatro palavras que te

quero confiar para que não se extinga

o seu lume breve palavras que muito

amei que talvez ame ainda elas são a

casa o sal da lìngua
 

o teu corpo

è como um rio onde o meu

se perde se escuto sò oiço 

o  teu rumor de mim nem um breve

sinal imagens dos gestos que tracei

escuta ainda tenho uma coisa a dizer

não è importante eu sei não vai salvar

o mudo não mudará a vida a ninguém

quem hoje è capaz de mudar a vida

de alguèm

 

sexta-feira, 27 de agosto de 2021

a hora da partida

soa quando escurece e o vento

passa estala no chão e as portas

batem quando a noite cada nò

 se entrelaça
 

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

porque

jardins que não colheremos

límpidos nas auroras a nascer

porque o céu e o mar não seremos

nunca os deuses capazes de os viver

 

mais solitários

somos e passamos não  são

os nossos frutos nem as flores

o céu e o mar apagam - se exteriores

e tornam - se os fantasmas que sonhamos
 

bebido

o luar èbrios de horizontes

julgamos que viver era

abraçar o rumor dos pinhais

os azuis dos montes e todos 

os jardins verdes do mar
 

a hora

da partida soa quando

escurece e o vento passa

estala o chão e as portas batem

quando a noite cada nò em si

deslaça
 

Quando

eu morrer voltarei para

buscar os instantes que não

vivi junto do mar
 

dai - me

a limpeza de que não haja lucro

que a vida seja limpa de todo

o luxo e de todo lixo chegou o tempo

da nova aliança com a vida
 

que

que nenhuma estrela queime

o teu perfil que nenhum

deus se lembre do teu

nome

para ti criei um dia


puro livre como o vento

como florir das ondas

ordenadas
 

esta

è a madrugada que esperava

o dia inicial inteiro e limpo

onde emergimos da noite e do

silencio e livre habitamos a

substância do tempo
 

dai - me casa vazia

e simples onde a luz è preciosa

dai - me a beleza imensa e nua

do que è frugal quero comer devagar

e gravemente que sabe o contorno carnudo

e o peso grave das coisas não quero possuir

a terra mas ser como ela  não  quero possuir nem dominar porque quero ser esta è a necessidade com veemência e fùria defendo a fidelidade por estar terrestre o mundo de ter perturba paralisa e desvia os 

seus círculos o estar o viver o ser


 

porque os outros

ser mascaram mas tu não

porque os outros usam

a virtude  para comprar

o que não tem perdão
 

sob o peso

nocturno dos cabelos ou sob a lua

divina do teu ombro procurei a

ordem intacta do mundo a palavra

não ouvida longamente sob o fogo

sob o vidro
 

beijei a terra

com os meus olhos

a minha boca e os meus dedos

enrolei - os a mim em círculos

inumeráveis e em contemplações

intermináveis dissolvi - me em nos

segredos
 

terror de amar

num sitio tão frágil

como o mundo mal

de amar neste lugar

de imperfeição onde

tudo nos quebra

e emudece tudo nos

mente e nos separa
 

A meu favor

tenho o verde secreto dos teus olhos

algumas palavras de ódio algumas

palavras de amor o tapete que vai

partir para o infinito esta noite ou

 uma noite qualquer

           a meu favor

as paredes que insultam devagar

certo refúgio acima do murmúrio

que a vida corrente teime em vir


o barco escondido pela folhagem

o jardim onde a aventura recomeça
 

amigos

mal nos conhecemos inauguramos

 a palavra amigo !

è um sorriso de boca em boca

um olhar bem limpo

uma casa modesta que se oferece

um coração pronto a pulsar na nossa

mão !

amigo ( recorda - se de ti escrupulosamente )

                     detritos ?

amigo è o erro corregido não o erro perseguido

explorado è a verdade partilhada praticada

amigo è a solidão derrotada amigo è uma

 grande tarefa um trabalho sem fim um espaço

 ùtil um tempo fèrtil amigo vai ser è jà uma grande festa
 

Hah !

há a mulher que me ama

e eu não amo

há as mulheres que me acamam

e eu acamo

há a mulher que amo não me ama

nem me acama

ah essa mulher !

tu eras mais feliz

Apolinaire

montado num obus voavas


à mulher tu foste mais feliz meu artilheiro tiveste amor e guerra eu andei para marinheiro pus óculos e fiquei em terra upa garupa na mulher que me acama que outra è contigo no coração que bem queres sofrer pelas mulheres

 

Gaivota

se uma gaivota viesse trazer - me o céu de Lisboa no desenho

que fizeste nesse céu onde o olhar è uma asas que não voa

esmorece e cai no mar que perfeito coração no meu peito bateria meu amor na tua mão nessa mão onde cabia perfeito o meu coração se um português marinheiro dos sete mares andarilho fosse quem sabe o primeiro a cantar - me que inventasse se um olhar de novo brilho no olhar se enlaçasse que perfeito coração no meu peito bateria meu amor na tua mão nessa mão onde cabia perfeito o meu coração de dizer adeus a vida as aves todas do céu me dessem na despedida o seu olhar derradeiro esse olhar que sò era teu que foste a primeira que perfeito coração bateria no meu peito morreria meu amor na tua mão onde o perfeito bateu no meu coração

 

nesta curva

tão terna e lancinante que vai ser

que já que è o teu desaparecimento

digo - te adeus

e como um adolescente tropeço

de ternura por ti
 

Mesa dos sonhos

ao lado do homem vou crescendo

defendo - me da morte quando dou

meu corpo ao seu desejo violento e

 lhe devoro o corpo lentamente

mesa do sonhos no meu corpo

vivem todas as formas e começam

todas as vidas ao lado do homem

 vou crescendo e defendo - me da

morte povoando de novo sonhos

a vida
 

Hà palavras que nos beijam

como se tivessem boca

palavras de amor de esperança

de imenso amor de esperança

louca palavras nuas que beijas

quando a noite perde o rosto

palavras que se recusam aos

muros do desgosto de repente

coloridas entre palavras sem cor

esperadas inesperadas como a poesia

ou o amor o nome de quem se ama

letra a letra revelado no mármore distraído no papel abandonado

palavras que nos transportam aonde a noite è mais forte ao silêncio

dos amantes abraçados contra a morte
 

terça-feira, 24 de agosto de 2021

estou satisfeito

vejo danço rio canto

quando a minha amada

dorme abraçada a mim

a noite inteira e depois 

 vai - se embora ao raiar

do dia com passos silenciosos

deixando o seu perfume enchendo

o quarto com a sua exuberância
 

descanso

e convido a minha alma

descanso deito - me 

tranquilamente observando

uma haste da relva de verão
 

eu celebro

o eu num canto de mim

mesmo e aquilo que eu

presumir tambèm presumirás

por cada átomo que há em mim

igualmente habita em ti


 

corri


 de olhos vendados para alcançar

algo doce entre sonhos amargurados

onde nada tinha posse

perdi - me

no escuro sobre uma

negra solidão com

um som tão puro

a mexer - se no coração

 

ainda que não te queira

estrela cadente e disparas

cintilações cinzeladas

na pedreira filigranada

da lava de ternura com

que te sorvo sem nunca 

deixar que te deixes petrificar

no espaço intemporal da rotina

bafienta e sórdida que aniquila

qualquer corrente cósmica
 

amor e òdio

as duas juntas formam

as sombras desabafando

a luz da noite garrida 

cabelos soltos ao vento

esvoaçando entre o esforço

e a vontade juntas formam

a sombra do mal 
 

a escrita

brota do coração como uma zona interdita

onde a alma pontifica reflexos distantes

mas sempre acesos  como se a linguagem

fosse um céu de estrelas que ora determina 

o rumo o norte o caminho do poema vivo que 

já fomos nas marcas do tempo que traçaste ora 

aponta o rumo do sonho que almejamos por sermos

estrelas do universo que seremos sulcos o universo da

 insónia como um carrossel de  vertigem



 

sinto


 o aconchego dos teus membros

de espuma e soçobro na água

profunda do teu ventre como

se o abraço liquido de dois amantes

não fosse o que somos por sermos

um sò


o sonho

transforma a noite da distância

anunciada num farol de proximidade

cujo valor alcance dissipa vacilantes

cintilações somos agora um mar de

tranquilidade sob o lençol prateado


das vagas onde  o assombro

a ilha do teu corpo como um pedaço

de areia brilhante


 

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

o verbo aguça

a intimidade aproxima

intensifica o silêncio

a poesia è a voz da alma

que em versos se expande

 o universo os poemas são

as dádivas que nascem dos

dons de  Deus alias na efémera 

e breve vida tudo nos è emprestado

somos meros usufrutuário nada

além dos nomes nos pertence ... nada
 

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

abraça - me


 uma vez sò nem sei

se tu existes

sò nos pertence o gesto

que fizemos não o fazer

iludiria a divindade que em

nòs supõe errada por convencida

abraça - me

quero morrer de ti

em mim espanto

amor dà - me de beber

antes a água dos teus beijos

para que possa leva - la aos

astros pequenos sò essa água

 fará reconhecer o mais profundo

o mais intenso amor do universo

e eu quero que dele fiquem a saber

atè as estrelas mais antigas e brilhantes
 

abraça - me veste

o meu corpo de ti

para que em ti eu possa

buscar os sentidos dos sentidos

o sentido da vida procura - me

com os teus antigos braços de criança

para desamarrar em mim a eternidade

essa soma formidàvel de todos os momentos

livres que um e outro  pertenceram
 

atravessamos

e vencemos tudo

o que era mau e poderia

ser fatal estamos na plena

posse dos nossos destinos

fundidos num sò o nosso

amor não terà a frescura dos

primeiros tempos mas è um amor

a prova um amor que conhece a sua

força e que mesmo para além do túmulo

espera ser infinito

o amor quando nasce vê a vida

o amor que dura vê a eternidade
 

se julgas que è vasto e louco

o vento de bandeiras que passa pela

minha vida e te resolves a deixar - me

 na margem do coração em que tenho

raìzes sairão em busca de outra terra porém

se todas as dores a toda hora se te sentes 

destinada a mim com doçura implacàvel

se todos os dias uma flor te sobe aos làbios a

minha procura meu amor ai inha amada em mim

todo esse fogo se repete em mim nada se apaga

minha amada nem se esquece o meu amor alimenta - se

do teu amor e enquanto

viveres estarei nos teus braços

sem sair dos meus
 

para não deixar de te amar nunca

saberás que não te amo

amo - te pois que de dois

 modos è a vida a palavra

 è a asas do silêncio o fogo

tem a sua metade de frio

amo - te para começar o infinito

e para não deixar de te amar nunca

por isso não te amo ainda amo - te

e não te amo como se tivesse a chave

da felicidade e um incerto destino infeliz

o meu amor tem duas vidas para amar - te

por isso te amo quando não te amo e por isso

 te amo quando te amo
 

quarta-feira, 11 de agosto de 2021

os teus olhos são

os meus poemas não poderia

haver outros poemas de amor os

 teus olhos são as minhas flores

não existem flores melhores em

que se beba o bálsamo do amor

your eys are mine poems could

not be other are my flowers in

which drink the balm of love
 

saio cresço no ar


 da planície onde um pássaro

tal poema se eleva na escrita deste

último verso desaparece

i go out growing in the air of

the plain where a bird such

a poem soars in the writing of the

last verse dissappears

ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !