domingo, 31 de julho de 2022

as pessoas sensíveis

não são capazes de matar galinhas

porém são capazes de comer galinhas

o dinheiro cheira a pobre e cheira a roupa

a seu corpo aquela roupa que depois da chuva

secou sobre o seu corpo porque não tinha outra

o dinheiro cheira a pobre e cheira a roupa que depois

do suor não foi lavada porque não tinha outra

ganharás o teu pão com o suor do teu rosto


e não com o suor dos outros ganharás o pão

ò vendilhões do templo ò construtores das grandes estátuas


balofas e pesadas ò cheios de devoção e de proveito

perdoai - lhe senhor porque eles sabem o que fazem




 

faz com que a paz

seja de todos dai - nos a paz

que nasce da justiça

dai - nos a paz chamada liberdade

dai - nos a paz que vos pedimos

a paz sem vencedor e sem vencidos
 

erguei nosso ser

à transparência para podermos ler melhor a vida

para entendermos melhor vosso mandamento

para que venha em nòs o vosso reino

dai - nos a paz que vos pedimos a paz sem vencedor

e sem vencidos
 

dai - nos a paz

que vos pedimos

a paz sem vencedores

e sem vencidos que o tempo

que nos deste seja um novo

recomeço de esperança e de justiça

da - nos a paz que vos pedimos

a paz sem vencedor e sem vencidos
 

como casa limpa

como chão varrido

como porta aberta

como puro inicio

como tempo novo

sem mancha nem vicio

como a voz do mar

interior de um povo

onde o poema emerge


como arquitectura do homem que ergue

sua habitação
 

Voltar ali

onde a verde rebentação da vaga

a espuma o nevoeiro o horizonte

a praia guardam intacta a impetuosa

juventude antiga mas como sem os amigos

sem a partilha o abraço a comunhão

respirar o cheiro a alga da maresia

e colher a estrela do mar em minha mão


 

teu corpo de terra e água

onde a quilha do meu barco

onde a relha do arado

abrem rotas e caminho

teu ventre de seivas brancas

tuas rosas paralelas

tuas colunas teu centro teu

fogo de verde pinho tua boca

verdadeira teu destino minha alma

tua balança de prata teus olhos de mel

e vinho bem que o mundo não seria


se o nosso amor lhe faltasse

mas as manhãs que não temos


são nossos lenços de ninho
 

onde a sombra

de ti o meu perfil è linha de certeza

ai são convergentes as vagas circulares

no seu limite o ponto rigoroso se propaga

ai se reproduz a voz inicial a palavra solar

o laço da raiz de nòs o tempo e criadores

pela força o perfil coincidente amanhecemos

deuses de mãos dadas
 

Arte de amar

metidos nesta pele que me refuta

dois somos o mesmo que inimigos

grande coisa è afinal o suor

( assim já diziam os antigos )

sem ele não seria luta o amor o amor
 

Passado Presente Futuro

eu fui mas o que fui

já não me lembra

mil camadas de pò disfarçam

vèus estes quarenta rostos desiguais

mareados de tempo e macarèus

eu sou mas o que suou tão pouco è

rã fugidia do charco que saltou e no

salto que deu quando podia no ar


de outro mundo rebentou

falta ver se è que falta o que serei


um rosto recomposto antes do fim

um campo de batráquio mesmo rouco


uma vida que corre assim
 

Química

Sublimemos amor assim as flores

no jardim não morrem se o perfume

no cristal da essência se defende

passemos nòs a prova dos ardores

não caldeiam instintos sem o lume

nem o secreto aroma que o resende
 

Alegria


 já ouço gritos ao longe

já diz  a voz do amor

a alegria do corpo

o esquecimento da dor

já os ventos recolheram


já o verão nos oferece quantos frutos

quantas fontes mais o sol que nos aquece


já colho jasmins e nardos

já tenho colares de rosas


e danço no meio da estrada

as danças prodigiosas


já os sorrisos se dão

já se dão as voltas todas


ò certezas das certezas

ò alegria das bodas


aprendemos

amor com estes montes

que tão longe do mar

sabem o jeito de banhar

no azul do horizonte

façamos o que è certo

e de direito dos desejos

ocultos outras fontes

e desçamos o mar do nosso


leito
 

as palavras de amor

 

esqueçamos as palavras

as palavras ternas

caprichosas violentas suaves

de mel e das febres famintas

e sedentas


deixemos que o silêncio dê sentido

ao pulsar do meu sangue no teu ventre


que palavra ou discurso poderia dizer

amar na lìngua da semente ?

Demissão

este mundo não presta

venha outro

já por tempo de mais andamos

a fingir de razões suficientes sejamos

cães do cão sabemos tudo mordemos


e de lamber as mãos se dependentes
 

Intimidade

no coração da mina mais secreta

no interior do fruto mais distante

na vibração da nota mais discreta

no búzio mas convolvo e ressoante

na camada mais densa da pintura

na veia que no corpo mas nos sonde

na palavra que diga mais brandura 

na raiz que mais desce mais esconde

no silêncio mais fundo desta pausa

em que a vida se faz perenidade


procuro a tua mão decifro a causa de querer

e não crer final intimidade
 

no coração talvez

ou diga antes uma ferida rasgada de navalha

por onde vai a vida tão mal gasta na total

consciência nos retalha o desejar o querer

não bastar enganada procura da razão

que o acaso de sermos justifique ès o dói

talvez no coração
 

Razão

não me peçam razões que não as tenho

ou darei quantas queiram bem sabemos

que razões são palavras todas nascem

da mansa hipocrisia que aprendemos

não me peçam razões porque se entenda

a força das marés que me enche o peito

e estar mal no mundo e nesta lei não fiz

lei e o mundo não aceito

não me peçam razões ou que as desculpe

deste modo de amar e destruir quando a noite


è demais è que amanhece a cor de primavera que há - de vir
 

cabelo errante e louro


 a pradaria do olhar faiscando

o mármore luzindo alvirròseos

do peito nua e fria ela è filha do mar

que vem sorrindo embalaram - na

as vagas retinindo ressoantes de pérolas

sorria a vê - la o golfo se ela adormecia

das grutas de âmbar infundo vede - a  veio

do abismo ! em roda em pêlo nas águas

cavalgando onda por onda todo o mar 

surge um povo estranho e belo


vem a saudá - la 


todo revoando golfinhos e tristões

em larga onda pelos retorsos búzios assombrados

Afrodite

Móvel festivo trépido arrolando a clara voz

talvez  da turba irada de sereis de cauda prateada

que vão com o vento os carmos  concentrando

o mar turquesas enormes iluminadas era o clamor

das águas murmurando como um bosque pagão

de deuses quando rompeu no Oriente o pátio da alvorada

as estrelas clarearam repentinas e logo as vagas são no verde

plano tocadas de ouro e irradiações divinas o oceano estremeceu

abrem - se brumas e ela aparece nua à flor do oceano coroado

de um circulo de espuma

 

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Rabisco na areia

« continuação do poema anterior »

o nosso coração assim ideal 

e fraternalmente se entrega ao fugaz

ao vivo não ao seguro e durável

cansa - nos o permanente

rochas mundo estrelas

almas almas de ar e bolhas de sabão

enigmas ao tempo  efémeras a quem

o orvalho na rosa o idilio   de um passarinho

o fim de um painel de nuvens fulgor de neve


arco - íris borboleta que esvoaçava

eco de riso que sò de passagem nos alcança


pode valer uma festa ou razão de dor

amamos o que è semelhante a nòs


e entendemos os rabisco que o vento deixa na areia


Hermann Hess

em andares 1961 
 

Ramo em flor

para cà e para là

sempre se inclina o vento

ao vento o ramo em flor

para cima e para baixo

sempre o meu coração

vai feito uma criança

entre claros nublosos

dias entre ambições e renúncias


atè que as flores se espalham e o ramo se enche de frutos

atè que o coração farto da infância alcança a paz


e confessa de muito agrado e na perdida

foi a inquieta jogada

 

Rabisco na areia

que encantamento e beleza

sejam brisa e calafrios

que o delicioso e bom tenha

escassa  duração fogo de artificio

flor nuvem bolha de sabão riso

de criança  olhar de mulher

no espelho e tantas outras

coisas fabulosas


que mal se descobrem somem

disso com pena sabemos


o que è permanente e fixo não queremos tanto bem

gemas de gélidos fogo ou ouro de pesado brilho


por não falar na estrelas que tão altas não aparecem

transitárias como nòs e não calam no fundo da alma


não parece que o melhor mais digno do amor se inclina

para o fim beirando a morte e o que mais encanta


nota de musica que ao nascerem já fogem desvanecem

são brisas são água caça ferida de leve màgoa


que nem pelo tempo de uma batida de coração

deixam - se prender sim mal se tocam se esvaem


vão embora


Hermann Hess em Andares 1961


 

Os nossos EUS

esses EUS que somos feitos

como pratos empilhados

nas mãos de empregados

de mesa têm outros vínculos

outras simpatias pequenas constituições

e direitos próprios chamemos  - lhes o que

quiserem ( e muitas desta coisas nem sequer tem nome  ) de modo que um deles se  compadece

se chover outro sò numa sala de cortinados verdes

ou se Mrs . Jones não estiver presente outra ainda

se lhe prometer um copo de vinho e assim por diante


pois cada indivíduo poderá multiplicar - se 

através da sua  experiência pessoal


os diversos compromissos que os diversos EUS

estabelecem consigo alguns demasiados absurdos


e ridículos par figurarem numa obra imprensa                                                                                                                                 


 

Quando olho para mim

não me percebo tenho tanta mania

de sentir que me extravio às vezes

ao sair das próprias sensações que

eu recebo o ar que respiro este licor

que bebo pertencem ao modo de existir

eu nunca sei como hei - de concluir as

sensações que o meu pesar concebo

nem nunca propriamente reparei se na

verdade sinto o que sinto eu serei tal

qual pareço em mim ?


serei tal qual me julgo verdadeiramente ?

mesmo ante sensações sou eu um pouco ateu


nem sei bem se sou eu quem sente se sou eu

quem me sinto se sou eu quem em mim sente


Álvaro de Campos

heterónimo de Fernando Pessoa


 

sò me interessam

os passos que tive de dar na vida

para chegar a mim mesmo

se observares uma pessoa com suficiente

atenção acabarás por saber mais a seu respeito

que a própria pessoa não devemos fugir a vida

activa para vida contemplativa nem vice - versa

mas variando entre as duas estar sempre a caminho

na duas participar de ambas respirar o ar comer o pão


Hermann Hess
 

a beleza de um corpo nu

sò a sentem às raças vestidas

o pudor vale sobretudo para

a sensibilidade como obstáculo

para a energia a maioria pensa

com a  sensibilidade eu sinto

com o pensamento para um homem

vulgar sentir è viver para mim è viver 

e sentir não è mais que alimento de pensar

a renúncia è a libertação de não querer poder
 

Sorte

enquanto viveres a perseguir a sorte

não estás pronto para seres feliz

ainda que seja esse o teu maior desejo

enquanto lamentas do perdido e tens metas

e não te dàs ao descanso não podes saber 

o valor da paz sò quando todo o anelo

renunciares sem objectivos nem mais desejos

e já não deres a sorte qualquer nome nome

já a maré dos eventos não te atingir o coração

se acalma a tua alma


 

alguns tem na vida um grande sonho

e faltam a esse sonho

tambèm assim falham

as palavras quando querem

exprimir qualquer pensamento

quando querem exprimir qualquer


 realidade circunda - te de rosas

ama bebe e cala o mais è nada
 

amor com muita saudade

a noite tudo è silencioso

o vento bate - me no rosto

e enxuga - me uma lágrima

que cai porque lembrei me

de ti do teu sorriso do teu olhar

e a saudade chega tão repentinamente

que não houve tempo para te dizer

eu te amo amo - te e adormeci a amar - te
 

A serinidade

a serenidade não è feita nem de troca

nem de narcisismo è o conhecimento

supremo e amor è a afirmação da realidade

a atenção desta junto a borda dos grandes 

fundos de todos os abismo è uma virtude

dos santos e dos cavaleiros è indestrutível

e cresce com a idade e a aproximação a morte

è o segredo da beleza e a verdadeira substância

de todas as artes

o poeta que celebra na dança dos seus versos


as magnificência e os terrores da vida


o musico que lhe dà os tons de uma pura presença

trazem - nos a luz aumentam a alegria e a clareza


sobre a terra


mesmo se  primeiro nos fazem passar por lágrima dolorosas

talvez o poeta tenha sido um triste solitário e o musico um


sonhador melancólico isso não impede que as suas obras

participem na intensidade dos deuses e das estrelas


o que eles nos dão não são mais suas trevas a sua dor

ou  o seu medo è a gota de luz pura da eterna serenidade


mesmo quando povos inteiros línguas inteiras procuram explorar

as profundezas cósmicas em mitos cosmogonia religiões o último


termo que poderão atingir è essa a serenidade


                Hermann Hess

in O jogo das contas de vidro  
 

Quando

se quer algo algo verdadeiramente

e com suficiente força acaba - se

por consegui - lo sempre quem quer

nascer tem de destruir um mundo

destruir no sentido de romper com

o passado e as tradições já mortas

desvincular - se  do meio excessivamente

cómodo e seguro da infância para conseguente

dolorosa busca da própria razão de ousar ser

a verdadeira profissão do homem è encontrar


o caminho para si mesmo

nada posso dar - lhe


a não ser a chave e o impulso

não lhe posso abrir - lhe outro mundo


para além da sua própria alma


não existe tão mau selvagem e cruel na natureza

quanto os homens  normais para que resulte o possível


tem de ser tentado o impossível


in Hermann Hesse «  Demian »
 

Amor

com muita saudade

a noite tudo è silencioso

o vento bate - me no rosto

e enxuga uma lágrima que cai

porque lembrei - me de ti

do teu sorriso do teu olhar

e a saudade chega repentinamente


que não houve tempo para te dizer eu te amo

amo - te e adormeci a amar - te !
 

quarta-feira, 27 de julho de 2022

alguns

tem na vida um grande sonho

e faltam a esse sonho outros

não tem na vida nenhum sonho

e faltam a esse sonho tambèm

assim falham as palavras quando


querem exprimir qualquer pensamento

assim falham quando querem exprimir


qualquer realidade

circunda - te de rosas ama

bebe e cala

o mais è nada


in Fernando Pessoa
 

nenhum ser

foi concebido corrente

apenas somos fluindo

docemente movidos 

pela sede do ser

atravessamos o dia a noite

a gruta e a catedral

assim sem descanso as enchemos

uma a uma e nenhuma là è lar

a aventura a tormenta

ora caminhos sempre


ora somos sempre visitantes

a nòs não chama o campo arado


a nòs não cresce o pão


não sabemos o que de nòs quer Deus

que barro em suas mãos connosco brinca


barro mudo e moldável que não rio nem choro

barro amassado que nunca cose


sou enfim como uma pedra sólido !

duras uma vez !


eternamente vivo è este  o nosso anseio

que medroso arrepio permanece  a pesar


de eterno e nunca será o repouso no caminho
 

Quando olho para mim

não me percebo tenho tanto a mania

de sentir que me extravio às vezes

ao sair das próprias sensações

que eu percebo o ar que eu respiro

este licor que bebo pertencem ao meu

modo de existir eu nunca sei como hei -

- de concluir as sensações que o meu pesar

 concebo nem nunca propriamente reparei

se na verdade sinto o que sinto eu serei tal

que pareço em mim ? serei tal que me julgo


verdadeiramente ?


mesmo ante sensações sou eu um pouco ateu

nem sei se sou eu quem sente se sou eu


que em mim sente
 

surdo subterrâneo rio

palavras corre - me lento pelo corpo todo

amor sem margens onde a lua rompe a nimba

do lodo o próprio lodo corre no tempo ou sò

um rumor de frisa onde o amor se perde e a


razão de amar surdo subterrâneo rio

onde vais sem te poder encontrar ?
 

do meu quarto

enquanto sonhava dava a volta

ao mundo viajava no tempo

sonhava a transparência de ser

criança para alcançar a esperança

de um dia colher uma flor sem que

ela morra de vez
 

ao nascer do sol

o sonho se desvanece

como uma nuvem de sol

a sorrir - lhe rasgando o mar

com um brilho incandescente

lindo numa magia de cores

os rios cegavam os olhos

 e fecho - os


sentem - se incomodados pela rapidez

do dia a chegar lutando pela calma


da noite conformando - se aos poucos abro os olhos

e a noite là se vai e o dia rompe com toda a sua força


 

terça-feira, 26 de julho de 2022

meu quarto

meu amigo meu mundo imaginário

nele encontro um sorriso que andou

 perdido pelo infinito là no fundo

uma gargalhada fingida cheia

 de emoções e de medos

às lágrimas libertam o  mistério


dos segredos mudos que sò eu sei

desvendados no meu refúgio mais


íntimo a minha solidão que è a paz

do meu espírito
 

segunda-feira, 25 de julho de 2022

não digas nada

nem mesmo a verdade

há tanta suavidade em nada

se dizer tudo se entender

são a metade de sentir e viver

não digas nada deixa esquecer

que em nòs talvez amanhã numa

outra paisagem digas que foi vã

essa viagem atè onde quis ser

e ler quem me agrada ... mas ali

fui feliz ! 


não digas nada meu amor !

        silêncio !
 

Amor

trago dentro de mim a madrugada

que a poesia escreve

trago dentro de mim os teus lábios

a respirarem a mansa brisa que me

atreve ...
 

là o que fui

ou o que fiz antes de ser

o que sou !

ai !

tudo me passou

sò sei que contigo sou feliz

e que me importa a cor das 

águas que passam ... nada !

meu amor ... nada !
 

Mãos estendidas

deslumbras pelas páginas

voando em direcção

das nuvens como um falcão

os teus lábios beijam a lua

na imensidão azul do céu


vejo o teu ser enorme voando


voando bem alto transcendes a terra

deslumbras o sol

amas a lua

claridade da minha vida senão

que sou feliz

 

deixemos a vida

convencer - te atè se repetir por todos

os séculos cruzando eternidades

em todos os roteiros de amor

erguendo - se num doce e desordeiro

deslumbramento atè nos perdermos

por fim num labirinto onde gritamos

em uníssono cada gentil despertar


acontecendo todo o imenso e tangível 

ressuscitar
 

sou assim

o que fui e serei talhando nos teus silêncios

nossa imensa tranquilidade em ruidosos

aplausos satisfeitos revestindo nossos

vais vens de amor em sossego brados

hospitaleiros perfumando toda a caligrafia

desta poesia que se esvaia nos ventos


desfilando indigente em rimas

que se tacteiam pelas tuas delícias


quando me apalavras mais que um beijo 

exímio e derradeiro tão a teu jeito ! 
 

Obsessão do mar oceano

vou andando feliz pelas ruas sem nome

que o vento bem sopra do mar oceano !

meu amor eu nem sei como se chama

nem sei se è muito longe o mar oceano

mas há vasos cobertos de conchinas sobre

as mesas e moças na janela com brincos

e pulseiras de coral búzios alçando portas

 caravelas sonhando imóveis sobre velhos

pianos nisto na vitrina do bric o teu sorriso

Antìnus e eu me lembrei do pobre imperador


Adriano de sua alma perdida e vaga na neblina

mas como sopra o vento sobre o mar oceano !


se eu morresse amanhã sò deixaria uma caixa

de música uma bússola um mapa figurado


uns poemas cheios de beleza de estarem inconclusos 

mas como sopra o vento  nestas ruas de Outono !


e eu não sei como te chamas mas nos encontramos

sobre o mar oceano quando eu tambèm já não tiver mais nome


in Mário Quintana



 

Do amoroso esquecimento

eu agora  que desfecho !

já não penso mais em ti 

mas será que nunca deixo

de lembrar que te esqueci ?
 

Da discrição

não te abras com o teu amigo

que ele tem um outro amigo tem

e o amigo do amigo do teu amigo

possui amigos tambèm ...
 

a canção da vida

a vida è louca

a vida è uma sara-banda

è um corrupio ...

a vida multiplica  dà - se as mãos

como um bando

de raparigas em flor

e està cantando

em torno de ti

como eu sou bela

amor !


entra em mim

cmo uma tela

do Renoir

enquanto è primavera

enquanto o mundo

não poluir

o azul do ar !

não vais ficar não vàs ficar

como um salso chorando

na beira rio

( como a vida è bela ! como avida è louca ! )


in Mário Quintana
 

ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !