ouro sinistro em sons de
bronze mediavais jóias
profundas a minha alma
as luzes caras cinábrio
triangular de ritos infernais
ouro sinistro em sons de
bronze mediavais jóias
profundas a minha alma
as luzes caras cinábrio
triangular de ritos infernais
me deixa tão excitado encostar - me
a ti è sempre um perigo pior ainda
se tiver deitado saltam faíscas raios
e coriscos numa atmosfera cheia de
gemidos e corremos por isso sérios
riscos de ficarmos chamuscados
derretidos por tão embriagante alta
voltagem que em vez de meter medo
dà coragem para tentar um outro
big - bang e se meter em ti o meu
rastilho então aì amor hà mais sarilhos
e explode tudo atè o sangue
sã sangria de suor e de cigarra que a noite canta
a festa de amanhã foste sempre cantora que não
se agarra o que a terra chamou amante e irmã mas
tambèm portuguesa que investe e marra voz de
alaúde rosto de maçã o teu coração veio do Douro
um barco de vindimas de cantigas tão generosas
como a liberdade resta de ti a ilha dum tesouro
a jòia com pedras mais antigas não è saudade não
è amizade
a minha lìngua sorve - a a descoberta entreabres
as pernas nesse instante e outra boca se abre
incendiada onde perco os meus dedos a tremer
desço a boca atè a luz molhada por entre gemidos
de prazer e beijo a alma no teu corpo que se excita
mais a cada segundo a cada movimento sorvo o
desejo entre nòs è tão profundo que penetrando
em ti parece pouco e o tempo todo que já tem
o mundo
duro por entre o deambular da mão que
o premeia a romã viçosa humedece entre
o arqueio das pernas desaguando rios de
água perenes de tesão o liquido puro aguarda
o clímax de vai e vem sentindo dentro da fissura
rugosa num deambular de poesia dos corpos refractados
no luar da tesão à luz ténue desperta a ansiedade terminante
da cúpula que se fez alvoroço do cio eclodindo num prazer
infinito dos sexos
mas sò quem nunca amou è
ridículo o amor è capaz de ser
a melhor de ser ridículo
prometo - te amar - te atè ao limite
beijar - te atè a última fronteira
correr quando bastava andar
voar quando bastava saltar
prometo - te abraçar com o interior dos
meus ossos percorrer - te a carne com
a fome absoluta e ir a procura do orgasmo
todos os dias a toda a hora encontrar a felicidade
no doce absurdo que soubemos destinar
prometo falhar sem hesitar prometo ser humano
aqui e ali ser incoerente aqui e ali dizer a palavra
errada a frase errada e atè o texto errado
aqui e ali agir sem pensar para que raio serve pensar
quando amo desalmadamente
assim prometo compreender prometo querer insistir lutar
descobrir aprender ensinar tudo para te dizer que prometo
falhar e Deus te livre de não me prometeres o mesmo
a amor saudável - zinho o amor
dividido em rações o amor como
uma empresa que tristeza
comsumimo - nos sem moderação
porque o amor se è moderado já
não è amor
da história da humanidade
completamente feliz torno - me
na minha própria poesia
que com ela me torno
amo saber que tenho
em mim o que me faz
querer dentro de mim
e somos dois prisioneiros
mais livres de todo o universo
a queda de neve lilial com dentes
delgados està condenada ao pranto
das fontes por espalhar a sua alma
nos metais por dar fogo ao ferro em
suas orientações ferreiros torrenciais
o arrastam para a dor das bigornas
inclementes ao doloroso tratamento
do espinho ao desânimo fatal da rosa
e à acção corrosiva da morte lançada vejo
a mim mesmo e tanta ruína não è por outro
infortúnio senão amar - te e sò por te amar
meu paraíso um campo sem rouxinol nem liras
com um rio discreto e um pequeno chafariz sem
o impulso do vento na folhagem nem a estrela que
quer ser folha uma luz enorme que era outro vaga - lume
em campo de olhares quebrados um repouso claro aì os
nossos beijos sonoras bolinhas de eco abriram - se ao longe
e o seu coração caloroso nada mais
amo - te porque a tua boca
sabe gritar rebelão
sim amo - te porque tu ès
o meu amor o meu cúmplice
e tudo
e na rua lado a lado somos
muito mais que dois e por causa
do teu rosto sincero e do teu passo
vagabundo
e o teu choro pelo mundo porque
tu ès um povo que te amo e porque
o amor è um halo ou cândida moral
e porque somos um casal que sabe
que não està sozinho
minhas cordas do dia a dia amo - te
porque as tuas mãos trabalham pela
justiça
se te amo è porque tu ès o meu amor
o meu cúmplice e tudo e na rua lado a lado
somos muito mais
sei que dois dos teus olhos que olham
e semeiam o futuro
em prestações curtas olha tu nuca
pagas o que deves simplesmente
não tens nada de honesto
muitas vezes amor tu me enganaste
com falsas assinaturas e pequenas
esperanças aos estelionatos com
a minha fè tu ousas jurando dar
o que deste hoje que a minha vida
chegou a um prazo estreito
se tu me trouxeres em palavras e em enganos
que vou julga - los na prisão não tenho duvidas
mas como irás pagar amor se já processaram
credores por mil anos procurando sua propriedade
estàs nu
o meu coração passa do frio para o fogo
sò te amo porque te amo odeio - te sem fim
e odeio - te eu imploro e a medida do meu amor
viajante è não te ver e amar - te como um cego
talvez consuma a luz de Janeiro seu raio cruel
todo o meu coração roubando a chave da calma
nesta história sò eu morro porque te amo amor
pelo sangue e pelo fogo
a sua aparência è o esplendor do dia
e a cor da rosa è a sua cor
tu emprestas uma nova vida a esperança
a um coração já morto
cresces de minha vida no deserto como
a flor que cresce em terreno baldio
há um mundo um além ao cruzar a verga do infinito a minha
primeira pergunta o meu primeiro grito deve ser e ela onde està ?
e uma vez que te encontro imbuído de uma imensa gratidão por
aquele que quis ser amado fora de ti e permite recuperar - te por
que haveria de pedir mais bem aventurança
buscou o vento para tocar o seu ouvido
de outro será será de outro como antes
dos meus beijos a sua voz o seu corpo
brilhante os seus olhos infinitos não a
amo è verdade mas talvez a ame o amor
è tão curto e o esquecimento è tão longo
porque em noites como esta eu a segurei
em meus braços a minha alma não se contenta
em tê - la perdido embora esta seja a última dor
que ela me causa e estes sejam os últimos versos
que escrevo para ela
a noite esta estrelada e ela não està comigo isso
è tudo a distância alguém canta ao longe a minha
alma està perdida sem ela como se para trazê - la
para mais perto do meu olhar o meu coração a busca
e ela não està comigo a mesma noite que branqueia as
mesmas àrvores não estão não somos os mesmos
a tenho sentindo que a perdi ouço a imensa
mais imensa sem ela o versículo cai para a
alma como o orvalho para a grama
e às vezes ela tambèm me amava
em noites como esta eu a segurava
nos meus braços eu beijei tantas vezes
sob o céu infinito
escrevo por exemplo à noite è estrelada
e as estrelas tremem ao longe azuis
o vento nocturno gira no céu e canta
meia às noites de lua estremeio fios de paixão
brilho de prazer bordados em coração tua toda
nua vestindo a minha mão pronto o manto envolves
de encanto loucos sonhos na cama a trama de quem
ama tal Penélope da noite sem lua sem os meus passos
na rua desfaço meus prantos teus laços a solidão não
mereço amanhã recomeço
do caju sumarenta carnadura da goiaba
de fez a frescura apetitosa e nua a fome
acesa e talvez o emergente calor da minha
carne dura
sentimo - nos bem com o seu
contacto dissertarmos sobre as
suas maravilhas auscultamos
pequenas portas ao seu mistério
e chegamos - nos a perder - nos
com prazer no remoinho do seu
interior apercebemo - nos das suas
fragilidades e manipulações da sua
extrema leveza do silêncio de sangue
e da sua banalização
à tua è esse beijo e ter - te nos meus braços
toda nua sentir - me vivo e morto de desejo
cuida para que não morda a tua voz de
ilusão que minha dor obscura não morra
nas tuas asas nem me afogue a voz em tua
garganta de ouro
a boca envelhece sobre a palavra a noite
aproxima - se da chama assim se morre
dizias tu assim se morre dizia o vento
acariciando a cintura na prosa fronteira
do silêncio a mão ilumina a terra inacabada
forrado de agulhas a cal rumorosa do sol
dos cardos sem outras mãos que lentas
barcas vai - se aproximando a água a nudez
do vidro a luz prumo dos mastros os prados
matinais os pès verdes quase o brilho das magnólias
apertados nos dentes uma espécie de tumulto as unhas
tão fatigadas dos dedos o bosque abre - se beijo a beijo
e è branco
que não podemos encontrar neste tédio
sempre igual que envolve o coração
enfermos deste eterno mal que antes que
nasça algum amor alegrará com sua canção
esta amarga solidão o matará com sua dor
que soa com perpétuo e lento toque de maldade
dentro do nosso coração andamos a busca da
emoção que não podemos encontrar e desejamos com ardor
sinais da terra os anjos nascem aqui
frescos matinais quase de orvalho
de coração
alegre e povoado ponho nelas
a minha boca respiro o sangue
o seu rumor branco aqueço - as
por dentro abandonadas nas minhas
pequenas mãos de deus eu sei que
são mãos de um homem trémulas
barcaças onde a água a tristeza e as
quatro estações penetram indiferentemente
não lhes toquem são amor e bondade mas
ainda cheiram a madressilva são o primeiro
homem a primeira mulher e amanhece
para levar à boca eis as mãos
procuram - te desde o chão
entre os veios do sono e da memória
à vertigem do ar abrem as portas vai
entrar o vento ou o violento aroma
de uma candeia e subitamente a ferida
recomeça a sangrar è o tempo de colher
a noite iluminou - se bago a bago vais surgir
para beber um trago como um grito contra o
muro sou eu desde a aurora eu a terra que te procuro
a lentidão de uma inquietude vibrando
em meu sentir tu juntaste todos os sonhos
da minha juventude depois de um amargor
tu afastas - te e a principio não percebi tu
partiras tal como chegaste uma tarde para alentar
meu coração mergulhado na profundidade dum desencanto
depois perfumaste - te com o meu pranto fiz - te doçura do
meu coração agora tens a aridez de nò novo desencanto árvore nua que amanhã se tornará germinar
coxas brancas
pareces - te com o mundo
na atitude de entrega
o meu corpo de lavrador selvagem
escrava em ti e faz saltar o filho do
mais fundo da terra
foi sò um túnel de mim fugiam os prosar
em mim a noite forçava a sua invasão
poderosa para sobreviver forjei - te como uma
arma como uma flecha no meu arco como uma
pedra na minha funda mas desce a hora da vingança
e eu amo - te
corpo de pele de musgo de leite ávido e firme
ah ! os corpos do peito !
ah ! os olhos de ausência !
ah ! as rosas do púbis !
ah ! a tua e lenta triste !
corpo de mulher minha persistirei na tua graça
minha sede minha ânsia sem limite meu caminho
indeciso ! escuros regos onde a sede eterna continua e
fatiga continua e a dor infinita
nem creio mas ignoro estou
posto onde se cruzam as estradas
multiplicando definidos nadas
quantos caminhos para chegar a um beijo
que a solidão errante atè chegar a ti !
os comboios continuam vazios rolando
com a chuva em Taltal a primavera não
amanheceu ainda mas tu e eu meu amor
estamos juntos
juntos da roupa às raìzes juntos pelo Outono
pela água pelas ancas atè sermos apenas tu e eu
juntos
pensar que custou tantas pedras que o rio arrasta
a embocadura da água do Boroa
pensar que separados por comboios e nações
corta os lábios a arrancar
a raiz ao mais diminuto
dos rios a inundar - me
de facas de saliva esperma
lume estou a rodear de agulhas
a boca mais vulnerável a marcar
sobre os teus flancos o itinerário
da espuma assim è o amor mortal
e navegável
invade a água
no teu peito è que o pólen do fogo se junta
à nascente alastra na sombra
nos teus flancos è que a fonte começa a ser
rio de abelhas rumor de tigre
da cintura aos joelhos è que a areia queima
o sol è secreto cego o silêncio
deita - te comigo ilumina meus vidros entre
lábios e lábios toda musica è minha
à tenacidade que em teu peito
bate com as asas de um cisne submerso
para que às pergunta estreladas do céu
responda o nosso sono com uma única
chave com uma única porta fechada
pela sombra
o fio das uvas terrestres com a
pontualidade de um comboio
desvairado que sombra e pedras frias
sem cessar arrastasse
ao meu e que no sono eles dissipem
as trevas como um duplo tambor
combatendo no bosque contra o
espesso muro das folhas molhadas
vacilei pelas ruas e pelas coisas
nada contava nem tinha nome
o mundo era do ar que aguardava
conheci salões cinzentos túneis
habitados pela lua hangares cruéis
que se despiam perguntas que teimavam
sobre a areia tudo estava vazio morto
e mudo caído abandonado e abatido tudo
era inalienavelmente alheio tudo era dos
outros e de ninguém atè que a tua beleza e
a tua pobreza encheram o Outono de presentes
minha moça selvagem tivemos
que recuperar o tempo e caminhar
para trás na distância das nossas vidas
beijo a beijo retirando de um lugar o
que demos sem alegria descobrindo
noutro caminho secreto que aproxima
os teus pès dos meus e assim tornas a
ver na minha boca a planta insatisfeita
da tua vida estendendo as raìzes para o
meu coração que te esperava e entre as
nossas cidades separadas as noites uma a
uma juntam - se à noite que nos une tirando - se
do tempo entregam - nos a luz cada dia a sua chama
ou o seu repouso e assim se desenterra na sombra ou
na luz nosso tesouro e assim beijam a vida os nossos beijos
todo o amor em nosso amor se encerra toda a sede termina em
nossos abraços aqui estamos nòs agora frente a frente encontràmo - nos
não perdemos nada percorremo - nos lábio a lábio mil vezes trocamos entre nòs
a morte e a vida tudo o que trazíamos quais mortas medalhas atiramo - lo ao fundo
do mar tudo o que aprendemos de nada serviu começamos de novo terminamos de
novo morte e vida e aqui sobrevivemos puros como a pureza que criamos mais largos
do que a terra que não pode extraviar - nos eternos como o fogo que arderá enquanto dura a vida
a ti odeio sem fim e odiando
te suplico e a medida do meu
amor viajante è não ver - te
e amar - te como um cego
que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !