terça-feira, 26 de outubro de 2021

Há ouro marchetado

em mim as pedras raras

ouro sinistro em sons de

 bronze mediavais jóias

profundas a minha alma

as luzes caras cinábrio 

triangular de ritos infernais


 

A tua pele tem um quê

que não consigo saber por que

me deixa tão excitado  encostar - me

a ti è sempre um perigo pior ainda

se tiver deitado saltam faíscas raios

e coriscos numa atmosfera cheia de

gemidos e corremos por isso sérios

riscos de ficarmos chamuscados

derretidos por tão embriagante alta 

voltagem que em vez de meter medo 

dà coragem para tentar um outro

 big  - bang e se meter em ti o meu

rastilho então aì amor hà mais sarilhos

e explode tudo atè o sangue
 

Nas tuas mãos

tomaste uma guitarra corpo de vinho de alegria

sã sangria de suor e de cigarra que a noite canta

 a festa de amanhã foste sempre cantora que não

se agarra o que a terra chamou amante e irmã mas

tambèm portuguesa que investe e marra voz de 

alaúde rosto de maçã o teu coração veio do Douro

um barco de vindimas de cantigas tão generosas

como a liberdade resta de ti a ilha dum tesouro

a jòia com pedras mais antigas não è saudade não

è amizade
 

Um espanto

a tua boca entreaberta aveluda doce salpicante 

a minha lìngua sorve - a a descoberta entreabres

as pernas nesse instante e outra boca se abre

incendiada onde perco os meus dedos a tremer

desço a boca atè a luz molhada por entre gemidos

de prazer e beijo a alma no teu corpo que se excita

mais a cada segundo a cada movimento  sorvo o

desejo entre nòs è tão profundo que penetrando

em ti parece pouco e o tempo todo que já tem

o mundo

 

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

as carnes revoltas ao cio

parecem entre o sexo cresce e torna - se

duro por entre o deambular da mão que

o premeia a romã viçosa humedece entre

o arqueio das pernas desaguando rios de

água perenes de tesão o liquido puro aguarda

o clímax de vai e vem sentindo dentro da fissura 

rugosa num deambular de poesia dos corpos refractados

 no luar da tesão à luz ténue desperta a ansiedade terminante

da cúpula que se fez alvoroço do cio eclodindo num  prazer 

infinito dos sexos

 

Somos ridìculos

na maneira como nos amamos

mas sò quem nunca amou è 

ridículo o amor è capaz de ser 

a melhor de ser ridículo


prometo - te amar - te atè ao limite

beijar - te atè a última fronteira


correr quando bastava andar

voar quando bastava saltar


prometo - te abraçar com o interior dos

meus ossos percorrer - te a carne com

a fome absoluta e ir a procura do orgasmo

todos os dias a toda a hora encontrar a felicidade

no doce absurdo que soubemos destinar


prometo falhar sem hesitar prometo ser humano

aqui e ali ser incoerente aqui e ali dizer a palavra

errada a frase errada e atè o texto  errado


aqui e ali agir sem pensar para que raio serve pensar

quando amo desalmadamente


assim prometo compreender prometo querer insistir lutar 

 descobrir aprender ensinar tudo para te dizer que prometo

falhar e Deus te livre de não me prometeres o mesmo
 

Não sigo manuais

que ensinam o amor em parte - time

a amor saudável - zinho o amor

dividido em rações o amor como

uma empresa que tristeza


comsumimo - nos sem moderação

porque o amor se è moderado já

não è amor

 

eu e a poesia

somos os dois os mais felizes

da história da humanidade


completamente feliz torno - me

na minha própria poesia
 

amo o que me fizeste ser

amo cada vez mais a poesia

que com ela me torno


amo saber que tenho

em mim o que me faz

querer dentro de mim


e somos dois prisioneiros

mais livres de todo o universo
 

domingo, 24 de outubro de 2021

Soneto Final

para arrancar os arcanjos glaciais

a queda de neve lilial com dentes

delgados està condenada ao pranto

das fontes por espalhar a sua alma

nos metais por dar fogo ao ferro em

suas orientações ferreiros torrenciais

o arrastam para a dor das bigornas

inclementes ao doloroso tratamento

do espinho ao desânimo fatal da rosa

e à acção corrosiva da morte lançada vejo

a mim mesmo e tanta ruína não è por outro

infortúnio senão amar - te e sò por te amar
 

Rima

por um olhar um mundo um sorriso

um céu por um beijo não sei o que

te  dei de beijo !
 

Desejar

apenas o seu coração caloroso e nada mais

meu paraíso um campo sem rouxinol nem liras

com um rio discreto e um pequeno chafariz sem

o impulso do vento na folhagem nem a estrela que

quer ser folha uma luz enorme que era outro vaga - lume

em campo de olhares quebrados um repouso claro aì os

nossos beijos sonoras bolinhas de eco abriram - se ao longe

 e o seu coração caloroso nada mais


 

Amo - te no meu paraíso

quer dizer que no meu país as pessoas

vivem felizes mesmo se eu tiver permissão
se eu te amo è porque tu ès meu amor o meu
cúmplice e tudo e no lado da rua a lado somos
muito mais do que dois
 

A tua boca que è tua

e a minha boca não è errada

amo - te porque a tua boca

sabe gritar rebelão


sim amo - te porque tu ès

o meu amor o meu cúmplice

e tudo


e na rua lado a lado somos

muito mais que dois e por causa

do teu rosto sincero e do teu passo

vagabundo


e o teu choro pelo mundo porque

tu ès um povo que te amo e porque

o amor è um halo ou cândida moral

e porque somos um casal que sabe

que não està sozinho


 

Quero - te

as tuas mãos são as minhas caricias

minhas cordas do dia a dia amo - te

porque as tuas mãos trabalham pela

justiça


se te amo è porque tu ès o meu amor

o meu cúmplice e tudo e na rua lado a lado

somos muito mais


sei que dois dos teus olhos que olham

e semeiam o futuro 
 

Amor a mil anos atràs

tu juras - te - me  pagar essa divida

em prestações curtas olha tu nuca

pagas o que deves simplesmente

não tens nada de honesto


muitas vezes amor tu me enganaste

com falsas assinaturas e pequenas

esperanças aos estelionatos  com

a minha fè tu ousas jurando dar

o que deste hoje que a minha vida

chegou a um prazo estreito


se tu me trouxeres em palavras e em enganos

que vou julga - los na prisão não tenho duvidas

mas como irás pagar amor se já processaram

credores por mil anos procurando sua propriedade

estàs nu 
 

Não te amo senão porque te amo

chego e de esperar quando não te espero

o meu coração passa do frio para o fogo

sò te amo porque te amo odeio - te sem fim

e odeio - te eu imploro e a medida do meu amor

viajante è não te ver e amar - te como um cego


talvez consuma a luz de Janeiro seu raio cruel

todo o meu coração roubando a chave da calma

nesta história sò eu morro  porque te amo amor

pelo sangue e pelo fogo

 

A sua respiração è a respiração das flores

à sua voz è a harmonia dos cisnes

a sua aparência è o esplendor do dia

e a cor da rosa è a sua cor


tu emprestas uma nova vida a esperança

a um coração já morto


cresces de minha vida no deserto como

a flor que cresce em terreno baldio
 

Ela ouve de súbito disse nervo amado

Dante paraíso se atrás da parede de granito negro da morte

há um mundo um além ao cruzar a verga do infinito a minha

primeira pergunta o meu primeiro grito deve ser e ela onde està ?

e uma vez que te encontro imbuído de uma imensa gratidão por

aquele que quis ser amado fora de ti e permite recuperar - te por

 que haveria de pedir mais bem aventurança
 

Não a amo è verdade

mas o quanto a amei a minha voz

buscou o vento para tocar o seu ouvido

de outro será será de outro como antes

dos meus beijos a sua voz o seu corpo

brilhante os seus olhos infinitos não a

amo è verdade mas talvez a ame o amor 

è tão curto e o esquecimento è tão longo

porque em noites como esta eu a segurei

em meus braços a minha alma não se contenta 

em tê - la perdido embora esta seja a última dor

 que ela me causa e estes sejam os últimos versos

 que escrevo para ela
 

O que importa


 que o meu amor não tenha conseguido mantê - la

a noite esta  estrelada e ela não està comigo isso

è tudo a distância alguém canta ao longe a minha 

alma està perdida sem ela como se para trazê - la

para mais perto do meu olhar o meu coração a busca

e ela não està comigo a mesma noite que branqueia as

mesmas àrvores não estão não somos os mesmos

sábado, 23 de outubro de 2021

Posso escrever os versos

mais tristes esta noite e pensar que não

a tenho sentindo que a perdi ouço a imensa

mais imensa sem ela o versículo cai para a

alma como o orvalho para a grama
 

Posso escrever os versos


 mais tristes esta noite eu amava

e às vezes ela tambèm me amava

em noites como esta eu a segurava

nos meus braços eu beijei tantas vezes

 sob o céu infinito

Posso

escrever os versos mais tristes esta noite

escrevo por exemplo à noite è estrelada

e as estrelas tremem ao longe azuis

o vento nocturno gira no céu e canta
 

Espero tal Penélope

teço a teia de suspiro e saudade em ponto

meia às noites de lua estremeio fios de paixão

brilho de prazer bordados em coração tua toda

nua vestindo a minha mão pronto o manto envolves

de encanto loucos sonhos na cama a trama de quem

ama tal Penélope da noite sem lua sem os meus passos

na rua desfaço meus prantos teus laços a solidão não

mereço amanhã recomeço 
 

Ter formas de maçã

a surpresa de textura e cor de romã

do caju sumarenta carnadura da goiaba

de fez a frescura apetitosa e nua a fome

acesa e talvez o emergente calor da minha

carne dura
 

Canto de alma

o secreto milagre da poesia

sentimo - nos bem com o seu

contacto dissertarmos sobre as

suas maravilhas auscultamos

pequenas portas ao seu mistério

e chegamos - nos  a perder - nos

com prazer no remoinho do seu

interior apercebemo - nos das suas

fragilidades e manipulações da sua

extrema leveza do silêncio de sangue

e da sua banalização
 

Alegria è este o orgasmo


 esta loucura de dentro de ti e assim

ficar como se andasse perdido à procura

de possuir - te

Alegria


 è este pássaro que voa da minha boca

à tua è esse beijo e ter - te nos meus braços

toda nua sentir - me vivo e morto de desejo

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

Quando chegares amor

à minha fonte distante sê chuva que estiola

sê baixio que rompe
 

Amor

quando chegares à minha fonte distante

cuida para que não morda a tua voz de

ilusão que minha dor obscura não morra

 nas tuas asas nem me afogue a voz em tua

 garganta de ouro
 

sobre a palavra

entre a folha branca e o gume do olhar

a boca envelhece sobre a palavra a noite

aproxima - se da chama assim se morre

dizias tu assim se morre dizia o vento

acariciando a cintura na prosa fronteira 

do silêncio a mão ilumina a terra inacabada
 

Labirinto ou Alguns Lugares de amor

o Outono por assim dizer pois era verão

forrado de agulhas a cal rumorosa do sol

dos cardos sem outras mãos que lentas

barcas vai - se aproximando a água a nudez

do vidro a luz prumo dos mastros os prados

matinais os pès verdes quase o brilho das magnólias

 apertados nos dentes uma espécie de tumulto as unhas

tão fatigadas dos dedos o bosque abre - se beijo a beijo

e è branco
 

A Emoção Fugitiva

andamos a busca da emoção fugitiva

que não podemos encontrar neste tédio

sempre igual que envolve o coração

enfermos deste eterno mal que antes que

nasça algum amor alegrará com sua canção

esta amarga solidão o matará com sua dor

que soa com perpétuo e lento toque de maldade

dentro do nosso coração andamos a busca da

emoção que não podemos encontrar e desejamos com ardor  
 

Coração Habitado

aqui são as mãos são os mais belos

sinais da terra os anjos nascem aqui

frescos matinais quase de orvalho

de coração 


alegre e povoado ponho nelas

a minha boca respiro o sangue

o seu rumor branco aqueço - as

por dentro abandonadas nas minhas

pequenas mãos de deus eu sei que

são mãos de um homem trémulas

barcaças onde a água a tristeza e as

quatro estações penetram indiferentemente

não lhes toquem são amor e bondade mas

ainda cheiram a madressilva são o primeiro 

homem a primeira mulher e amanhece


 

Desde a Aurora

como um sol de polpa escura

para levar  à boca eis as mãos

procuram - te desde o chão

entre os veios do sono e da memória

à vertigem do ar  abrem as portas vai

entrar o vento ou o violento aroma

de uma candeia e subitamente a ferida

recomeça a sangrar è o tempo de colher

a noite iluminou - se bago a bago vais surgir

para beber um trago como um grito contra o

muro sou eu desde a aurora eu a terra que te procuro
 

Ilusão Perdida

florida ilusão que em mim deixas - te 

a lentidão de uma inquietude vibrando 

em meu sentir tu juntaste todos os sonhos

da minha juventude depois de um amargor

tu afastas - te e a principio não percebi tu

partiras tal  como chegaste uma tarde para alentar

meu coração mergulhado na profundidade dum desencanto

depois perfumaste - te com o meu pranto fiz - te doçura do

meu coração agora tens a aridez de nò novo desencanto árvore nua que amanhã se tornará germinar

 

Corpo de mulher

brancas colinas

coxas brancas

pareces - te com o mundo

na atitude de entrega

o meu corpo de lavrador selvagem

escrava em ti e faz saltar o filho do

mais fundo da terra


foi sò um túnel de mim fugiam os prosar

em mim a noite forçava a sua invasão 

poderosa para sobreviver forjei - te como uma

arma como uma flecha no meu arco como uma

pedra na minha funda mas desce a hora da vingança

e eu amo - te


corpo de pele de musgo de leite ávido e firme

ah ! os corpos do peito !

ah ! os olhos de ausência !

ah ! as rosas do púbis !

ah ! a tua e lenta triste !


corpo de mulher minha persistirei na tua graça

minha sede minha ânsia sem limite meu caminho

indeciso ! escuros regos onde a sede eterna continua e 

fatiga continua e a dor infinita
 

Cerca - me

como um mar não descreio

nem creio mas ignoro estou

posto onde se cruzam as estradas

multiplicando definidos nadas

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

tu e eu

devíamos simplesmente amar - nos amor

quantos caminhos para chegar a um beijo

que a solidão errante atè chegar a ti !


os comboios continuam vazios rolando

com a chuva em Taltal a primavera não

amanheceu ainda mas tu e eu meu amor

estamos juntos


juntos da roupa às raìzes juntos pelo Outono

pela água pelas ancas atè sermos apenas tu e eu

juntos


pensar que custou tantas pedras que o rio arrasta

a embocadura da água do Boroa 


pensar que separados por comboios e nações

Estou

a amar - te como o frio

corta os lábios a arrancar

a raiz ao mais diminuto

dos rios a inundar - me

de facas de saliva esperma

lume estou a rodear de agulhas

a boca mais vulnerável a marcar

sobre os teus flancos o itinerário

da espuma assim è o amor mortal

e navegável
 

entre os teus lábios

è que a loucura acode desce a garganta

invade a água

no teu peito è que o pólen do fogo se junta

à nascente alastra na sombra

nos teus flancos è que a fonte começa a ser

rio de abelhas rumor de tigre

da cintura aos joelhos è que a areia queima

o sol è secreto cego o silêncio

deita - te comigo ilumina meus vidros entre

lábios e lábios toda musica è minha
 

Por isso amor

prende - me ao movimento puro

à tenacidade que em teu peito

bate com as asas de um cisne submerso

para que às pergunta estreladas do céu

responda o nosso sono com uma única

chave com uma única porta fechada

pela sombra
 

Nocturna travessia

brasa negra do sono interceptando

o fio das uvas terrestres com a

pontualidade de um comboio

desvairado que sombra e pedras frias

sem cessar arrastasse
 

Prende o teu coração no meu

de noite amada prende o teu coração

ao meu e que no sono eles dissipem

as trevas como um duplo tambor

combatendo no bosque contra o

espesso muro das folhas molhadas
 

Antes de te amar amor

eu não tinha nada eu nada tinha

vacilei pelas ruas e pelas coisas

nada contava nem tinha nome

o mundo era do ar que aguardava

conheci salões cinzentos túneis

habitados pela lua hangares cruéis

que se despiam perguntas que teimavam

 sobre a areia  tudo estava vazio morto

e mudo caído abandonado e abatido tudo

era inalienavelmente  alheio tudo era dos

outros e de ninguém atè que a tua beleza e 

a tua pobreza encheram o Outono de presentes
 

Todo o amor

em nosso amor se encerra

minha moça selvagem tivemos

que recuperar o tempo e caminhar

para trás na distância das nossas vidas

beijo a beijo retirando de um lugar o

que demos sem alegria descobrindo

noutro caminho secreto que aproxima

os teus pès dos meus e assim tornas a

ver na minha boca a planta insatisfeita

da tua vida estendendo as raìzes para o

meu coração que te esperava e entre as

nossas cidades separadas as noites uma a

uma juntam - se à noite que nos une tirando - se

do tempo entregam - nos a luz cada dia a sua chama

 ou o seu repouso e assim se desenterra na sombra ou

 na luz nosso tesouro e assim beijam a vida os nossos beijos

todo o amor em nosso amor se encerra toda a sede termina em

 nossos abraços aqui estamos nòs agora frente a frente encontràmo - nos

não perdemos nada percorremo - nos lábio a lábio mil vezes trocamos entre nòs

a morte e a vida tudo o que trazíamos quais mortas medalhas atiramo - lo ao fundo

do mar tudo o que aprendemos de nada serviu começamos de novo terminamos de

novo morte e vida e aqui sobrevivemos puros como a pureza que criamos mais largos

do que a terra que não pode extraviar - nos eternos como o fogo que arderá enquanto dura a vida
 

Nesta história

apenas eu morro e morrerei

de amor porque te quero amor

a sangue frio
 

Consumirás

talvez a luz de Janeiro

o seu raio cruel

o meu coração inteiro

rouba - me a chave do

sossego
 

Quero - te

apenas  porque a ti eu quero

a ti odeio sem fim e odiando

te suplico e a medida do meu

amor viajante è não ver - te

e amar - te como um cego
 

ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !