quarta-feira, 3 de agosto de 2022

Um adeus Português

nos teus olhos altamente perigosos

vigora o mais rigoroso amor a luz

ombros puros e a sombra de uma angùstia

já purificada não tu não podias ficar presa

comigo à roda que apodrecemos a esta

pata ensanguentada que vacila quase medida

e avança mugindo pelo túnel de uma velha dor

não podias ficar nesta cadeira onde passo o dia

burocrático o dia de miséria que sobe às mãos 

aos sorrisos ao amor mal soletrado à estupidez


ao desespero sem boca ao medo perfilado

à água sonâmbula a vírgula maníaca do meu medo

funcionária de viver

não podia ficar comigo

em trânsito mortal atè ao dia

sórdido

canino

policial


atè ao dia que não vem da promessa

puríssima  da madrugada mas da miséria de uma noite

gerada por um dia igual


não podias ficar presa comigo à pequena dor que cada um de nòs

 traz docemente pela mão a esta dor portuguesa tão mansa quase vegetal


mas tu não mereces esta cidade não mereces esta rosa de naùsea em que giramos

atè à idiota esta pequena morte e o seu minucioso e porco ritual esta nossa razão


absurda de ser


não tu ès da cidade aventureiro da cidade onde vives por um fio de puro acaso onde morres

ou vives de asfixia mas às mãos de uma aventura de um comércio puro sem moeda falsa

do bem e do mal nesta curva tão terna e lancinante que vai ser que já è o teu desaparecimento


digo - te adeus e como um adolescente tropeço de ternura por ti

 

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ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !