sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Poema pouco original do medo

o medo vai ter tudo

pernas

ambulâncias

e o luxo blindado

de alguns automóveis

vai ter olho onde ninguém os veja

mãozinhas cautelosas

enredos quase inocentes

ouvidos não sò nas paredes

mas tambèm no chão no tecto


no murmúrio dos esgotos

e talvez atè ( cautela ! )

ouvidos nos teus ouvidos

o medo vai ter tudo

fantasmas na ópera

sessões continuas de espiritismo

milagres 

cortejos

frases corajosas

meninas exemplares

seguras casas de penhor

maliciosas casas de passe

conferências vàrias

congressos muitos

óptimos empregos

poemas originais

e poemas como estes

projectos altamente porcos

heróis

( o medo vai ter heróis ! )

costureiras reais e irreais

operários

(  assim assim )

escriturários

( muitos )

intelectuais

( o que sabe )

a tua voz talvez

talvez a minha

com certeza a deles

vai ter capitais

países

suspeitas como toda gente

muitos amigos

beijos namorados esverdeados

amantes silenciosos

ardentes

e angustiados

ah o medo vai ter tudo

tudo

( penso no que o medo vai ter e tenho medo que è justamente o que o medo quer )

o medo vai ter tudo

quase tudo

e quase tudo

e cada um por seu caminho

havemos  todos de chegar

quase todos

a ratos

sim

a ratos

 

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ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !