quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Que por ti perdi

o mar dentro das árvores

as nuvens dentro da terra

sem fim que limitava as mãos

e as abria para as outras mãos


dentro de um olhar batem as fornalhas aos ventos

um cálice de vidro com o licor de fermentação caseira


um prato com avelã e nozes e folhas de medronho

nas margens as portadas corridas ganham um halo


de candeeiros de rua que se difunde na florescência

de televisor na palidez rubra das pequenas luzes


do radio a última claridade do dia  mistura - se à primeira da noite

este vento auto estrada onde rebenta a chuva não me vai forçar o coração


nem estas sebes ladeadas de cimento suspenderão o voo do que sou atè ao que

não ès mas será a caricia que no cinto treme o calor do pescoço descoberto


os vimes da cadeira donde te levantas quando estou quase para me sentar

entre veios de relva desigual valadas por cuidar obrigam maquinas de desolação


formações de patos atravessam o vidro polido do postigo sobre a manta castanha

que prende os joelhos no silêncio de persianas já corridas um globo de lona ilumina


o livro na pequena mesa um arame de flores pendurado numa trave e o armário com

objectos de estranho meditação a vida  acumulou - se em roldanas ao redor de tudo


um fume que sobe durante  a noite sobre os mapas enrolados na parede despida há tantos

nos esquecemos de desdobrar de por eles chegarmos aos confins do nosso mundo e já estamos a

 desaparecer


 

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ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !