sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Adeus


 já gastamos as palavras pela rua meu amor

o que ficou não chega para afastar o frio de

quatro paredes gastamos tudo menos o silêncio

gastamos os olhos com o sal das lágrimas gastamos

as mãos à força de as apertarmos gastamos o relógio

e as pedras das esquinas em esperas inúteis 

meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada antigamente

tínhamos tanto para dar um ao outro era como se todas as coisas fossem minhas quanto mais te dava mas tinha para te dar às vezes

tu dizias os teus olhos são peixes verdes e eu acreditava porque ao teu lado

todas as coisas eram possíveis mas era no tempo dos segredos era no tempo

em que o teu corpo era um aquário era no tempo  em que os meus olhos eram realmente peixes verdes

hoje são apenas os meus olhos è pouco mas è verdade uns olhos iguais a tantos outros 

já gastamos as palavras quando agora digo meu amor já não se passa absolutamente nada e no entanto 

antes das palavras gastas tenho a certeza que todas as coisas estremeciam sò de murmurar o teu nome

no silêncio do meu coração

não temos já nada para dar dentro de ti não há nada que me peça água o passado è inútil como um trapo

velho jà te disse as palavras estão gastas

 Adeus  


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ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !