já gastamos as palavras pela rua meu amor
o que ficou não chega para afastar o frio de
quatro paredes gastamos tudo menos o silêncio
gastamos os olhos com o sal das lágrimas gastamos
as mãos à força de as apertarmos gastamos o relógio
e as pedras das esquinas em esperas inúteis
meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada antigamente
tínhamos tanto para dar um ao outro era como se todas as coisas fossem minhas quanto mais te dava mas tinha para te dar às vezes
tu dizias os teus olhos são peixes verdes e eu acreditava porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis mas era no tempo dos segredos era no tempo
em que o teu corpo era um aquário era no tempo em que os meus olhos eram realmente peixes verdes
hoje são apenas os meus olhos è pouco mas è verdade uns olhos iguais a tantos outros
já gastamos as palavras quando agora digo meu amor já não se passa absolutamente nada e no entanto
antes das palavras gastas tenho a certeza que todas as coisas estremeciam sò de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração
não temos já nada para dar dentro de ti não há nada que me peça água o passado è inútil como um trapo
velho jà te disse as palavras estão gastas
Adeus

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