andaram a despir o mudo o que era
roupa tombou num escuro abismo
desolada ave sob chuva e não era roupa
era a alma da gente sonhos à procura
do tempo debruçado na margem a lavadeira
sabe não è de roupa que cuida è próprio rio
que ela lava e no seu ventre onde a luz se
ajoelha certa vez se desenroscou a trança
do tempo
por isso mãe os meus olhos são teus
e eles não servem para ver apenas para
recordar o que antes de ser luz foi palavra
e corpo

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