quarta-feira, 20 de julho de 2022

Prematuros olhos

muito antes de mim os meus olhos

andavam a despir o mudo que era

roupa

tombou num escuro abismo

desolada ave sob chuva

e não era roupa

era alma de gente

sonhos à procura do tempo

debruçado na margem

a lavadeira   sabe


não è de roupa que cuida è o próprio rio

que ela lava


e no seu ventre

onde a luz se ajoelha


certa vez se desenroscou

a trança cega do tempo


por isso mãe

os meus olhos são teus


e eles não servem para ver apenas para recordar

o que antes de ser luz foi palavra e corpo
 

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ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !