que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei o nada
e para ti foi tudo
para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto que talhei o sabor
de sempre
para ti dei voz as minhas mãos
abri gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nòs
nesse doce engano
de tudo sermos donos sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e nòs não dormíamos
e eu desci o teu peito para me procurar
e antes que a escuridão cingisse a cintura
ficamos nos olhos vivendo de um sò
amando de uma sò vida

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