segunda-feira, 18 de julho de 2022

os amantes com casa

andavam pela casa amando - se

no chão e contra as paredes

respiravam exaustos como

se tivessem nascido da terra

de dentro das sementeiras

beijavam - se màgoados

atè se magoarem mais


um no outro eram prisioneiros

um do outro e livres se libertavam

para a vida e para o amor vivendo

a própria morte


voltavam a andar pela casa amando - se

no chão e contra as paredes


então era música como se cada corpo

atravessasse outro corpo e recebesse

dele nova presença agora serena

e mais pobre mas avidamente rica

por essa pobreza


a nudez corria - lhe pelas mãos

e chegava aonde tudo è branco

e firme


aquele fogo de carne era carne do amor

o fogo de arder amando - se por toda a casa

contra as paredes no chão se mais não pressentissem

bastava aquela linguagem de falar tocando - se como

dormem as aves e os olhos gastos por amor de olhar

por olhar o amor e no chão contra as paredes se amarem


pela casa andavam como se dentro da sementeira respirassem

prisioneiros libertados um no outro eram livres e para a vida

e para o amor


se beijaram magoando - se mais atè ficarem màgoados e uma presença

agora nova e mais serena avidamente recebeu a música que atravessou

de um corpo a outro corpo chegando as mãos onde toda nudez è branca

 e firme com uma carne de fogo incarnando o amor incarnando o fogo

contra o chão das paredes se amaram pressentindo que andando pela casa

bastava tocarem - se para ficarem a dormir como acordam as aves
 

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ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !