no chão e contra as paredes
respiravam exaustos como
se tivessem nascido da terra
de dentro das sementeiras
beijavam - se màgoados
atè se magoarem mais
um no outro eram prisioneiros
um do outro e livres se libertavam
para a vida e para o amor vivendo
a própria morte
voltavam a andar pela casa amando - se
no chão e contra as paredes
então era música como se cada corpo
atravessasse outro corpo e recebesse
dele nova presença agora serena
e mais pobre mas avidamente rica
por essa pobreza
a nudez corria - lhe pelas mãos
e chegava aonde tudo è branco
e firme
aquele fogo de carne era carne do amor
o fogo de arder amando - se por toda a casa
contra as paredes no chão se mais não pressentissem
bastava aquela linguagem de falar tocando - se como
dormem as aves e os olhos gastos por amor de olhar
por olhar o amor e no chão contra as paredes se amarem
pela casa andavam como se dentro da sementeira respirassem
prisioneiros libertados um no outro eram livres e para a vida
e para o amor
se beijaram magoando - se mais atè ficarem màgoados e uma presença
agora nova e mais serena avidamente recebeu a música que atravessou
de um corpo a outro corpo chegando as mãos onde toda nudez è branca
e firme com uma carne de fogo incarnando o amor incarnando o fogo
contra o chão das paredes se amaram pressentindo que andando pela casa
bastava tocarem - se para ficarem a dormir como acordam as aves

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