terça-feira, 24 de maio de 2022

Solidão

aproximo - me da noite o silêncio

abre os seus panos escuros e as coisas

correm por óleo frio e espesso

esta deveria  ser a hora em que me recolheria

como um poente no bater do teu peito mas

a solidão entra pelos meus vidros e nas enlutadas


mãos solto o delírio è então que tu surges

com teus passos de menina os teus sonhos


arrumados como duas tranças nas tuas costas

guiando - me por corredores infinitos


 e regressando aos espelhos onde a vida te encarnou

mas os ruídos da noite trazem sua esponja silenciosa


e sem luz e sem tinta o meu sonho resigna longe os homens

afundam - se com o caju que fermenta e a onda da madrugada  


demora - se de encontro às rochas do tempo
 

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ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !