segunda-feira, 16 de maio de 2022

Os amantes com casa

andavam pela casa amando - se  no chão

e contra as paredes respiravam exaustos

como se tivessem nascidos da terra dentro

das sementeiras beijavam - se magoados

atè se magoarem mais um no outro

eram prisioneiros um do outro e livres

libertavam - se  para ávidos e para o amor

 vivendo a própria morte voltavam a andar

pela casa amando - se no chão e contra as

paredes


então era a música como se cada corpo atravessasse

o outro corpo e recebesse dele nova presença agora


serena e mais pobre mais avidamente rica por essa

pobreza a nudez corria - lhe pelas mãos e chegava


aonde tudo è branco e firme aquele fogo de carne

do amor o fogo de arder amando - se por toda casa


contra as paredes no chão se mais não partissem 

bastaria aquela linguagem de falar tocando - se


como dormem as aves  e os olhos gastos por amor

e no chão contra as paredes se amaram e pela casa 


andavam como se dentro das sementeiras respirassem

prisioneiros libertados eram livres e para a vida e para


o amor se beijaram magoaram - se mais atè ficarem

magoados e uma presença agora nova e mais serena


avidamente recebeu a música que atravessou o corpo


parra o outro chegando as mãos onde toda nudez è branca 


e firme com uma carne de fogo incarnada o fogo contra o chão


das paredes se amaram pressentindo que andando pela casa

bastaria tocarem - se para ficarem a dormir como acordam as


aves
 

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ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !