quinta-feira, 21 de julho de 2022

autobiografia

onde nasci

há mais terra que céu

tanto leito è uma bênção

para mortos e sonhadores

è tão pouco ser o céu

nasce o sol

em greta nos nossos pès

e os corações se apertam


quando remoinhos de poeira  

se elevam nos telhados


as mães 

espanam o tecto

e as poeira de astro

cobrem o soalho


de tão raso o firmamento

a chuva tropeça nas capas

enquanto nuvens

se engravidam de rios


com tanta escassez de céu

não há encosto

nem para a mais minguante lua

e os meninos

na ponta dos dedos

ascendem estrelas


pois 

nessa terra que tanta para tão pouco céu

calhou me a mim 

ser ave


pequena que são

as minhas asas parecem enormes


envergando

escondo - as dos olhares vizinhos

nas minhas costas

pesam

versos e plumas


voarei

um dia

sem saber

se è de terra ou de céu

a pegada do voo que sonhei
 

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ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !