domingo, 24 de julho de 2022

Adeus

já gastámos as palavras pelas ruas meu amor

e o que nos ficou não chega para afastar o frio

das quatro paredes

gastámos  tudo menos o silêncio

gastámos os olhos com o sal das lágrimas

gastámos as mãos  à força de as apertarmos

gastámos o relógio e as pedras das esquinas 

em esperas inúteis 

meto as mãos nas algibeiras e não encontro

nada


antigamente tínhamos tanto para dar

um ao outro era como se todas as coisas


fossem minhas quanto mais te dava mais tinha

 para te dar


às vezes tu dizias os teus olhos são peixes verdes

e eu acreditava


acreditava porque ao teu lado todas as coisas

eram possíveis mais isso era no tempo dos segredos


era no temo em que o teu corpo era um aquário

era no tempo em que os meus olhos eram realmente


peixes verdes


hoje são apenas os meus olhos

è poucos mas è verdade uns olhos


como todos os outros


já gastámos as palavras

quando agora digo meu amor


já não se passa absolutamente nada e no entanto

antes das palavras gastas tenho a certeza


que todas as coisas estremeciam sò de murmurar

o teu nome no silêncio do meu coração


não temos já nada para dar

dentro de ti não há nada que me peça água


o passado è inútil como um trapo e já disse

as palavras estão gatas


Adeus

 
 

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ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !