quinta-feira, 21 de julho de 2022

a casa

sei dos filhos

pelo modo como ocupam a casa

uns buscam os recantos

outros existem à janela

a uns satisfaz uma sombra

a outros nem o mudo basta

uns batem com a porta


outros hesitam como se não houvesse saída

raras vezes sou pai

sou sempre todos os meus filhos

sou a mão indecisa no fecho

sou noite passada entre o relógio e o escuro


em mim ecoa a voz que a entrada se anuncia cheguei !

e eu rio de resposta chegou ?

mas nunca ninguém partiu ...


e tanto em mim

demoram as esperas

que me foi trocada por soalho

e me converti em sonolenta janela


agora eu mesmo sou a casa

a casa infatigável

a que meus filhos eternamente regressam
 

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ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !