uns buscam os recantos outros existem à
janela a uns satisfaz uma sombra a outros
nem o mundo basta uns batem com a porta
outros hesitam como se não houvesse saída
raras vezes sou pai sou sempre todos os meus
filhos sou a mão indecisa no fecho sou a noite
passada entre o relógio e o escuro
em mim ecoa a voz que a entrada
se anuncia cheguei ! e eu sorrio
de resposta chegou !
ma se nunca ninguém partiu ...
e tanto em mim demoram esperas
que me fui trocando por soalho
e me converti em sonolentas janelas
agora eu mesmo sou a casa infatigável
casa a que meus filhos eternamente regressam

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