sabes como è se olho a lua de cristal o ramo
vermelho de lento Outono à minha janela
se toco junto ao lume a impalpàvel cinza
ou o enrugado corpo da lenha tudo
leva - me para ti como se tudo o que existe
aromas luz metais fossem pequenos barcos
que navegam atè as tuas ilhas que me esperam
mas agora se pouco a pouco me deixas de amar
deixarei de te amar pouco a pouco
se de sùbito me esqueceres não me procures
porque já te terei esquecido
se julgas que è vasto e louco o vento de bandeiras
que passa pela minha vida e resolves deixar - me
a margem do coração em que tenho raìzes pensa
nesse dia a essa hora levantarei os braços e as minhas
raìzes sairão em busca de outra terra
porém se todos os dias a toda hora te sentires destinada
a mim com doçura implacável de todo todos os dias
uma flor sobe - te aos lábios à minha procura
ai meu amor ai minha amada em mim todo
o fogo se repete em mim nada se apaga nem
se esquece
o meu amor alimenta - se do teu amor
enquanto viveres estarás nos teus braços
sem sair dos meus
atravessamos e vencemos tudo e vencemos
olho para o passado com embriagues mas não
è com menos deslumbramento que encaro o nosso
futuro
ei - nos agora um do outro para o todo sempre
sem ansiedades sem inquietações sem angústias
atravessamos e vencemos tudo o que era mau e poderia
ser fatal estamos na plena posse dos nossos dois destinos
fundidos num sò
o nosso amor não terá a frescura dos primeiros tempos
mas è um amor a prova que conhece a sua força e que
mesmo para além do túmulo espera ser infinito
o amor quando nasce sò vê a vida
o amor que dura vê a eternidade
abraça - me ... abraça - me
quero ouvir o vento que vem da tua pele ver o sol
nascer no intenso calor dos nossos corpos
quando me perfumo assim em ti nada mais existe
a não ser este relâmpago feliz esta maçã azul que
foi colhida na palidez de todos os caminhos
e que ambos mordemos para provar o sabor
que tem a carne incandescente das estrelas
abraça - me veste o meu corpo de ti para
que em ti eu possa buscar o sentido da vida
procura - me com os teus antigos braços
de criança para desamarrar em mim a eternidade
essa soma formidável de todos os momentos livres
que um e outro pertencem
abraça - me quero morrer em ti em mim
espantado amor dà - me de beber antes
a água dos teus beijos para que possa leva - la
comigo e oferece - la aos outros pequeninos
sò essa água fará reconhecer o mais profundo
o mais intenso amor do universo
quero que dele fiquem a saber atè as estrelas mais
antigas e brilhantes
abraça - me uma vez mais sò mais uma vez
não sei se existes

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