terça-feira, 24 de maio de 2022

diz - me o meu nome

pronuncia - o

como se silabas te queimassem os lábios

sopra - o com suavidade de uma confidência

para que o escuro apeteça para que desatem

os teus cabelos para que aconteça

porque eu cresço para ti sou eu dentro de ti

que bebe a última gota e te conduzo a um lugar

sem tempo nem contorno

porque apenas para os teus olhos sou grito e cor

e dentro de ti me recolho ferido dos combates


em que a mim próprio me venci


porque a minha mão infatigável procura o interior 

e  o avesso da aparência porque o tempo 


em que vivo morre de ser ontem e è urgente inventar

outras maneira de navegar outro rumo outro pulsar


para dar esperança aos portos que aguardam pensativos

no húmido centro da noite


diz o meu nome como se  eu te fosse estranho

como se fosse intruso para que eu mesmo me desconheça


e me sobressalte quando suavemente pronunciares o meu nome


 

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ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !