segunda-feira, 23 de maio de 2022

confidência

diz o meu nome prenuncia - o

como se cada silaba te queimassem

os lábios sopra - o com a suavidade

de uma confidência

para que o escuro apeteça par que desatem

os teus cabelos porque eu cresço para ti

sou eu que dentro de ti bebe a última gota

e te conduzo a um lugar sem tempo nem contorno

porque apenas para os teus olhos sou gesto e cor

e dentro de ti me recolho ferido exausto dos combates


em que em mim próprio  me venci

porque a minha mão infatigável

procura o interior e o avesso da aparência


porque o tempo em que vivo morre de ser ontem

è urgente inventar outra maneira de navegar outro


rumo outro pulsar  para dar esperança os portos

que aguardam pensativos


no húmido centro da noite diz o meu nome

como se te fosse estranho como se te fosse


intruso


para que eu  mesmo me desconheça


e me sobressalte


quando suavemente pronunciares

o meu nome

 


 

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ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !