e sùbito que encheu as tuas mãos de sol
e a tua boca de beijos e em estranhos
desencontros nos amamos
havia um rio mas sempre ficamos a margem
eu tocava o teu peito e os teus olhos
a nas minhas mãos a tarde projectava
grandes sombras enquanto as gaivotas
disputavam sobre a água talvez um peixe
inquieto algo que nunca podemos ver
as nossas bocas procuravam sempre ávidas
e macias e por muito tempo permaneciam
assim unidas machucando nossas línguas
quase enlouquecidas
depois olhava - nos nos olhos no mais profundo
silêncio

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