da juventude e dessa paixão sem
regras deixarei que uma pétala
poise aqui por ser tão branca
o Porto è sò uma pequena praça
onde a tantos anos aprendo metodicamente
a ser árvore assim parece - me cada vez mais
com a terra obscura do meu próprio rosto
o Porto è sò uma maneira de me refugiar
na tarde forrar - me de silêncio e procurar
à tona algumas palavras sem outro fito que
não seja o de opor ao corpo espesso destes
muros a insurreição do olhar
o Porto è sò esta atenção empenhada em escutar
os passos dos velhos que a certas horas atravessam
a rua para passarem os dias no café em frente os
olhos vazios as lágrimas das crianças de S. Victor
correndo nos sulcos da sua melancolia
na gargalhada meu amor brincando com o seu cão
larga um pouco os teus compromissos e vem apenas
ver a serena silhueta a cortar o vermelhão do acaso
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