quarta-feira, 22 de setembro de 2021

desentendido da cidade

olho na palma da mão os resíduos

da juventude e dessa paixão sem

regras deixarei que uma pétala

poise aqui por ser tão branca


o Porto è sò uma pequena praça

onde a tantos anos aprendo metodicamente

a ser árvore assim parece - me cada vez mais

com a terra obscura do meu próprio rosto


o Porto è sò uma maneira de me refugiar

na tarde forrar - me de silêncio  e procurar

à tona algumas palavras sem outro fito que

não seja o de opor ao corpo espesso destes

muros a insurreição do olhar


o Porto è sò esta atenção empenhada em escutar

os passos dos velhos que a certas horas atravessam

a rua para passarem os dias no café em frente os

olhos vazios as lágrimas das crianças de S. Victor

correndo nos sulcos da sua melancolia


na gargalhada meu amor brincando com o seu cão

larga um pouco os teus compromissos e vem apenas 

ver a serena silhueta a cortar o vermelhão do acaso


 

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ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !