quarta-feira, 22 de setembro de 2021

a morte absoluta

                 morrer

morrer de corpo e alma completamente

morrer sem deixar triste o despojo da carne

a enxague máscara de cera cercada de flores

que apodrecerão felizes !

um dia banhada de lágrimas nascidas menos

da saudade do que do espanto da morte

               morrer

sem deixar por ventura alma errante ... a

caminho do céu ? mas que céu pode satisfazer

o teu sonho de céu ? 

               morrer

sem deixar um sulco um risco uma lembrança

de uma sombra em nenhum coração em nenhum

pensamento em nenhuma epiderme ?

                 morrer

tão completamente que um dia ao lerem o teu

nome num papel perguntem ; quem foi ?

                  morrer

mais completamente ainda sem deixar esse nome


 

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ès o caminho

  que me elevas ao paraíso invulgares e as raridades  dos ciclos que comandam as espécies em via de extinção !